segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Distribuidoras e consumidores participam de proposta de modelo de medidor eletrônico de energia

Representantes de distribuidoras de energia e de entidades de consumidores participaram na última quarta-feira (26/1) da audiência pública promovida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que debateu o modelo de medidor eletrônico de energia elétrica que deverá ser implantado em residências e estabelecimentos comerciais e industriais atendidos em baixa tensão no país.


Pela proposta da Aneel, os medidores vão permitir que os consumidores tenham acesso a informações sobre o consumo e o fornecimento de energia, além de possibilitar a comunicação remota entre consumidor e distribuidora. “Com a incorporação dessas novas funcionalidades, o medidor eletrônico deixará de ser um mero registrador de consumo e será um portal de comunicação seguro e interativo entre o consumidor e a distribuidora”, destacou o diretor da Aneel André Pepitone da Nóbrega.

A ideia é que os medidores também possibilitem a adoção de tarifas diferenciadas de acordo com o horário em que o consumidor utiliza a energia. “Com isso, o consumidor poderá optar por usar a máquina de lavar roupa à noite, quando a tarifa for mais barata, ou programar o ar condicionado para operar com menor potência quando a energia for mais cara”, exemplifica Nóbrega.

Entre as contribuições apresentadas pelos participantes da audiência pública estão o aumento do prazo para implantação do novo sistema, a inclusão dos consumidores de baixa renda e a liberdade para que as distribuidoras possam definir as localidades prioritárias para instalação dos novos medidores.

Alguns representantes sugeriram que os medidores possam ter suas funções ampliadas futuramente, e outros pediram que os novos aparelhos não concentrem as funções de inteligência, para evitar possíveis fraudes. Também foram apresentadas sugestões para que seja assegurada a qualidade dos medidores instalados e também para que as informações dos medidores sejam criptografadas, com o objetivo de garantir a segurança dos dados.

O representante do Sindicato dos Trabalhadores de Energia (Sinergia), Gentil de Freitas, lembrou que a instalação dos medidores eletrônicos poderá causar uma redução nos postos de trabalho, e sugeriu que as distribuidoras qualifiquem os empregados que trabalham atualmente na medição de energia para atuar em outras áreas da empresa.

Para Rosimeire da Costa, do Conselho de Consumidores de Energia (Concen), os clientes das distribuidoras devem ser orientados para entender e saber usar bem os novos medidores eletrônicos.

As sugestões sobre a mudança dos equipamento de medição podem ser encaminhadas à Aneel até hoje (28/1). Depois disso, a área técnica da agência avaliará as contribuições e o texto final deve ser votado pelos diretores até maio. A Aneel prevê um prazo de 18 meses para que as distribuidoras adotem os novos relógios de medição. A forma como será feita a substituição e os custos dessa operação serão estabelecidos pela Aneel em parceria com o Ministério de Minas e Energia, depois da definição da tecnologia que será adotada para os novos medidores.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Ministério do Trabalho altera especificações da NR 18 para montagem e utilização de andaimes

Projetos de andaimes devem ser acompanhados de Anotação de Responsabilidade Técnica. Confira as outras mudanças na Norma de Segurança
Por Mauricio Lima

Foi publicada, na segunda-feira (24), a portaria nº 201, do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que altera a Norma de Regulamentação nº 18 (NR-18) na seção sobre a fabricação, montagem e utilização de andaimes. 
Uma das principais mudanças trazidas pela portaria é que os projetos de andaimes do tipo fachadeiro, suspensos e em balanço devem ser acompanhados pela respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). De acordo com a portaria, "somente empresas regularmente inscritas no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea), com profissional legalmente habilitado pertencente ao seu quadro de empregados ou societário, podem fabricar andaimes completos ou quaisquer componentes estruturais". Além disso, devem ser gravados nos painéis, tubos, pisos e contraventamentos dos andaimes, de forma aparente e indelével, a identificação do fabricante, referência do tipo, lote e ano de fabricação.
As superfícies de trabalho e os montantes dos andaimes devem possuir travamento que não permita seu deslocamento ou desencaixe acidental. O piso de trabalho dos andaimes deve ter forração completa, ser antiderrapante, nivelado e fixado ou travado de modo seguro e resistente.
Os trabalhadores devem utilizar cinto de segurança tipo paraquedista ligado a um cabo guia fixado em estrutura independente do equipamento, salvo situações especiais tecnicamente comprovadas por profissional legalmente habilitado.
O novo texto ainda proíbe o trabalho em andaimes na periferia da edificação sem que haja proteção tecnicamente adequada, fixada à estrutura da construção por meio de amarração e estroncamento, de modo a resistir aos esforços a que estará sujeito.
Os andaimes cujos pisos de trabalho estejam situados a mais de um metro de altura devem possuir escadas ou rampas. Os andaimes de madeira somente podem ser utilizados em obras acima de três pavimentos ou altura equivalente. Ainda, a ancoragem da torre é obrigatória quando a altura for superior a 9 metros.
A área sob a plataforma de trabalho deve ser devidamente sinalizada e delimitada, sendo proibida a circulação de trabalhadores dentro daquele espaço. Além disso, os andaimes suspensos devem possuir placa de identificação, colocada em local visível, onde conste a carga máxima de trabalho permitida.
A maioria dos subitens entrou em vigor na segunda-feira. O subitem sobre a identificação dos andaimes entra em vigor em doze meses, enquanto o subitem que estipula que "é vedada a utilização de guinchos tipo catraca dos andaimes suspenso para prédios acima de oito pavimentos, a partir do térreo, ou altura equivalente" entra em vigor somente em 48 meses.
Para acessar as mudanças na NR 18, clique aqui.

Fonte: www.piniweb.com.br

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Abengoa pretende instalar usina piloto no Estado com capacidade em torno de 3MW
Da redação
 
Crédito: Getty Images

A Abengoa Brasil, subsidiária local da espanhola Abengoa, esteve reunida na última semana com a secretaria da Fazenda do Estado do Piauí. Durante o encontro, o responsável pelo setor comercial e de novos negócios da companhia, Marcelo Araújo, revelou a intenção da companhia de investir na construção de uma usina para a geração de energia solar no Estado.
A planta piloto é prevista para a região de Ribeiro Gonçalves e deve ter uma capacidade instalada em torno de 3MW. Uma vez que a Abengoa é a responsável pela operação de uma linha de transmissão na região, a ideia é de que parte da energia gerada pelo sol seja utilizada para suprir os serviços internos da linha. "Vamos discutir o que faremos com o excedente - se poderia ser colocado na rede de suprimento local ou na rede de distribuição da Cepisa. O importante é que será usufruído pela comunidade", explica Araújo.
Os recursos para a instalação do empreendimento virão da verba da companhia para projetos de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D). O representante da Abengoa também já se reuniu com o governador do Piauí. De acordo com o governo, a empresa promete tentar ampliar sua carteira de negócios no Estado.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Grupo lança selo de energia eólica para produtos

Etiqueta vai diferenciar empresas que usam energia dos ventos na produção das mercadorias
Da redação
Crédito: Stock Xchng

O Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês) anunciou nesta terça-feira (18/1), durante encontro em Abu Dabhi, o lançamento do selo WindMade - criado para identificar produtos fabricados com o uso de energia eólica. A medida é resultado de uma parceria entre a entidade, a organização ambientalista WWF, a fornecedora de aerogeradores Vestas e outras empresas.
A etiqueta é a primeria iniciativa global nesse sentido e tem como objetivo oferecer ao consumidor o poder de escolha por um produto ambientalmente sustentável. O secretário geral do GWC, Steve Sawyer, afirma que a ideia é atender a uma demanda dos próprios consumidores que queiram fazer algo contra a mudança climática.
De acordo com um comunicado emitido após o lançamento, os promotores da iniciativa realizaram uma pesquisa de mercado antes de tornar realidade o selo. Os resultados teriam apontado que 92% dos entrevistados acreditam que as fontes renováveis de energia são uma boa solução para reduzir os efeitos da mudança climática. Segundo os responsáveis pela WindMade, a maioria também garantiu que, caso pudesse escolher, daria preferência a produtos feitos com energia eólica, "mesmo que custem um pouco mais".
"Queremos construir uma ponte para a energia limpa entre os consumidores e as empresas responsáveis e dar ao consumidor a opção de escolher produtos mais sustentáveis", explica o presidente da Vestas, Ditlev Engel. O executivo ainda diz que espera que mais companhias se juntem à iniciativa.
Segundo os promotores da etiqueta, um grupo técnico de especialistas está elaborando o que será o proceesso de certificação para se obter o selo. A iniciativa será apresentada com mais detalhes em uma reunião durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, em junho.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Seminário debate segurança de profissionais do setor elétrico

A 7ª edição do Seminário Nacional de Segurança e Saúde no Setor Elétrico Brasileiro (Sense 2011) irá debater assuntos como riscos no setor elétrico, aplicação de normas regulamentadoras, envelhecimento da força de trabalho e soluções no setor elétrico, gestão de segurança, planos de emergência e contingências, tecnologias para proteção individual e coletiva, entre outros aspectos relacionados ao tema.

A atualização técnica e a troca de experiências que contribuam para melhores condições para os trabalhadores do sistema elétrico são os objetivos do seminário, que será voltado para profissionais do setor, pesquisadores, docentes, auto-produtores, indústrias, além de profissionais atuantes nas áreas de segurança e saúde no trabalho, saúde em geral e áreas coligadas.

Entre os destaques do evento está a análise de trabalhos técnicos sobre o segmento, que deverão ser enviados até o dia 21 de janeiro. Os autores das contribuições técnicas selecionadas poderão se tornar palestrantes.

O encontro acontece entre os dias 10 a 13 de abril, no Rio Grande do Sul. A realização é da Fundação Coge com apoio da CPFL Energia, da Rio Grande Energia (RGE), da AES Sul e da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE). Detalhes sobre inscrições e novidades na programação estão disponíveis no website do seminário. Para mais informações, clique aqui.

Fonte:http://inforlegis.blogspot.com

Curso sobre qualidade elétrica

Da Agência Ambiente Energia - Até o dia 15 de fevereiro, a Faculdade de Engenharia da Universidade Paulista (Unesp), em Bauru (SP), receberá inscrições para o curso de especialização lato sensu em “Qualidade da Energia Elétrica”. 


Com uma carga horária de 480 horas, o curso busca destacar a importância de o país ter uma matriz energética eficiente e com qualidade para garantia a oferta contínua de energia.
O curso utiliza o modelo semi-presencial, com três módulos, num total de 36 horas, a distância. O programa conta com sete disciplinas – metodologia científica; introdução aos sistemas elétricos eficientes; sistemas de geração de energia; sistemas motrizes eficientes; elementos de apoio aos sistemas eficientes; sistemas de proteção e qualidade em energia; e gestão e eficiência energética.
A faculdade oferece 40 vagas para engenheiros com interesse ou atuação na área de produção, distribuição, controle e consumo de energia elétrica. As aulas vão de março de 2011 a abril de 2012. A mensalidade custa R$ 390,00. 
Mais informações e inscrições: www.eficiencia.feb.unesp.br/index.htm

Descentralização e participação – planejamento e gestão dos setor energético brasileiro



Elaborado pelo Fórum Nacional de Secretários de Estado para Assuntos de Energia (FNSE), o documento tem como objetivo submeter as reflexões aqui contidas aos candidatos a Presidente da República no pleito do ano de 2010. Além de externar o posicionamento do FNSE acerca da formulação do planejamento e da gestão energética nacional, o presente documento tem por finalidade contribuir para as demandas e as necessidades específicas a cada região do país bem como suas diferentes potencialidades energéticas, na expectativa de que as mesmas sejam consideradas no programa do novo governo que tomará posse em 2011. Documento foi entregue aos candidatos que concorreram às eleições presidenciais de 2010.

Para acessar o conteúdo na íntegra clique no link abaixo:

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Greenpeace: setor de eletroeletrônicos precisa inovar para ficar mais verde

 
Apesar de registrar avanços em 2010, o setor de TI e eletroeletrônicos ainda precisa pensar mais na reciclabilidade dos produtos, eliminar plásticos considerados nocivos ao meio ambiente como PVC e retardatores a chama bromados (BFRs) e ser mais transparente sobre a pegada ecológica dos processos de produção. 
Estas foram as principais conclusões do relatório de TI Verde divulgado esta semana pela Greenpeace.
A entidade analisou 42 produtos de 10 fabricantes internacionais entre PCs, note e netbooks, celulares e smartphones, monitores e TVs.
Apesar de não poder comparar detalhadamente com pesquisas anteriores feitas em 2008 e 2009 por causa de mudanças de metodologia, a ONG considera que houve avanços em algumas questões.
O principal ganho foi na eficiência energética já que a maioria dos produtos pesquisados estavam com padrões de consumo menores que os recomendados pela certificação Energy Star dos Estados Unidos.
Além disso, houve alguma redução no uso de materiais nocivos à saúde e ao meio ambiente.
No entanto, a indústria precisa melhorar a reciclabilidade e longevidade dos produtos, visando a redução de emissões e uso de energia no ciclo de vida (incluíndo produção e descarte).
A recomendação principal foi: é preciso inovar.
Baixe aqui o relatório (em inglês): 

Questão energética: planejamento em xeque

Por Júlio Santos, da Agência Ambiente Energia - Um documento preparado pelo Fórum Nacional de Secretários de Estado para Assuntos de Energia (FNSE) defende a adoção de uma nova abordagem na condução do planejamento energético brasileiro. Um dos pontos envolve a exploração de energéticos de cada região do país a fim de promover o desenvolvimento local e regional. Segundo o FNSE, a descentralização é elemento fundamental para se chegar ao pleno fortalecimento do segmento energético nacional. A entidade propõe a revisão dos processos que dão bases ao planejamento, considerando a segurança energética; o uso de regras claras e transparentes; e a sustentabilidade ambiental.
“A centralização do planejamento perde efetividade por não levar em consideração as especificidades regionais, tratando de forma idêntica às unidades da federação que, dada a sua geografia, disponibilidade de recursos naturais, e políticas de incentivos socioeconômicos e tributários, são completamente distintas uma das outras, sobretudo no que diz respeito ao melhor aproveitamento de suas potencialidades energéticas sob a perspectiva da otimização de recursos nacional”, conclui o documento, que foi entregue aos candidatos à Presidência da República nas eleições de 2010.
Intitulado “Descentralização e Participação – Planejamemnto e Gestão do Setor Energético Brasileiro”, o documento também propõe um conjunto de ações governamentais voltadas para gestão do segmento energético; energia elétrica;  concessões; universalização do atendimento ao mercado de energia elétrica; eficiência energética; energia nuclear;  petróleo e seus derivados; carvão mineral; gás natural; recursos renováveis; recursos hídricos; biomassa; etanol;  biodiesel e óleo; diesel; resíduos urbanos e agrícolas; eólica; solar; geotermia; e energia das marés e das ondas.
Para a descentralização do planejamento, o documento do fórum destaca as premissas básicas: enfoque integrado da exploração dos recursos energéticos; preservação, a conservação e até mesmo o resgate do meio ambiente natural; o município, necessariamente se constituirá na unidade básica de planejamento e gestão energética; disponibilidade de dados cartográficos de precisão; integração energética com os países sulamericanos; e revisão completa dos Planos Decenal de Expansão de Energia PDE 2010/2019 e do Plano Nacional de Energia – PDE 2030.
Entre as medidas para aumentar a participação regional no planejamento energético do país, o FNSE propõe:
a) Manutenção da participação do FNSE junto ao Conselho Consultivo da Empresa de Pesquisa Energética – EPE (artigo 12 da Lei nº 10.847, de 15/03/2004);
b) Adoção pela EPE do planejamento energético regionalizado (parágrafo único do artigo 2º da Lei 10.847, de 15/03/2004):
c) Participação do FNSE nos Grupos de Trabalho criados pelo Conselho Nacional de Política Energética CNPE;
d) Participação do FNSE no Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico CMSE;
e) Coordenação entre o FNSE e a EPE para unificação da metodologia de elaboração dos Balanços Energéticos Estaduais;
f) Descentralização, para as Agências Reguladoras Estaduais, da responsabilidade pela validação de outorgas de exploração, hoje a cargo exclusivo da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel);
g) Participação do FNSE na elaboração dos Planos de Expansão de Energia PDE e PNE;
h) Participação do FNSE nos estudos do mercado energético futuro e na elaboração das matrizes energéticas estaduais em conjunto com a EPE; e
i) Participação do FNSE na definição dos critérios para a realização de leilões de energia nova por tipo de fonte e por região, visando aproveitar as potencialidades regionais, diminuir custos e otimizar a operação do Sistema Interligado nacional SIN.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

LÂMPADAS INCANDESCENTES COM OS DIAS CONTADOS NO BRASIL




Parque ao lado do Castelo de Poppelsdorf que aparece ao fundo

Quando estive em Bonn, Alemanha, em junho do ano passado, no começo do verão europeu, chamou-me a atenção o quanto os moradores de lá cultuam o meio ambiente. O rio Reno, navegável e despoluído, é um orgulho para a cidade.
Fiquei hospedado num hotel no bairro Poppelsdorf, pertinho do Castelo de Poppelsdorf, onde fica o Horto Florestal, ao lado de um belíssimo parque.
No sábado de manhã,  enquanto fazia hora antes de pegar o trem para o aeroporto de Frankfurt, fiquei curtindo o dia ensolarado no parque e observando o comportamento das pessoas. Vi uma jovem alemã estendendo toalha no gramado do parque para aproveitar o sol e o clima de verão.

Muitas pessoas, de crianças a adultos de idade bem avançada, passando por casais de namorados, caminhavam pelo parque.  Alguns faziam exercícios físicos e alongamento. Outros jogavam uma pelada de futebol. E vi muita gente andando de bicicleta por toda a cidade plana e bastante favorável para esta prática saudável. Até senhores e senhoras de cabelos bem branquinhos, provavelmente com mais de 60 anos de idade, desfilavam de bike pelas ruas de Bonn e também pelo parque.



Senhora de cabelos branquinhos andando de bike no parque
 

Mas, quando sentei num banco para melhor admirar o parque, chamou-me bastante a atenção à minha frente um postinho de iluminação pública com lâmpadas fluorescentes compactas!


Iluminação pública com lâmpadas fluorescentes compactas

As lâmpadas fluorescentes compactas são bem mais econômicas do que as tradicionais lâmpadas incandescentes que, para produzir luz, precisam antes de tudo aquecer. E aquecer significa, de cara, torrar energia elétrica na forma de calor. É o que chamamos na Física de Efeito Joule. E, como lâmpada não foi feita para esquentar e sim para acender, podemos dizer que esta energia dissipada na forma de calor e que jamais vai se transformar em luz significa desperdício. Mais um ponto para os alemães de Bonn: iluminação pública ecologicamente correta!
Lembrei disso hoje ao ler matéria do UOL Economia relatando que "conforme portaria interministerial de Minas e Energia, Ciência e Tecnologia e Indústria e Comércio, publicada no Diário Oficial da União, no Brasil, as tradicionais lâmpadas incandescentes estão com os dias contados (...)" e se " (...) entre 30 de junho de 2012 e 30 de junho de 2016 não aparecer uma nova tecnologia que torne as lâmpadas incandescentes mais eficientes, esse produto será banido do mercado".
Na Europa esta atitude já foi tomada antes de nós. Leia matéria (em português) da Deutsche Welle de agosto de 2009 que relata que os países da União Europeia deixarão gradativamente de usar e fabricar lâmpadas incandescentes até setembro de 2012, quatro anos antes do Brasil. Veja também matéria do UOL Ciência e Saúde sobre o mesmo assunto.
Para você ter uma ideia quantitativa da economia que uma lâmpada fluorescente compacta representa frente à uma equivalente incandescente, acompanhe o raciocínio logo abaixo.

Comparações: incandescente X fluorescente

I - Consumo X Fluxo luminoso

Incandescente (esquerda) e fluorescente (direita)

Antes de mais nada, quando você compra uma lâmpada, interessa saber a "voltagem" (ou d.d.p. = diferença de potencial) da rede em que ela será usada e também a sua potência. Por exemplo: U = 110 V / P = 60 W. Esta lâmpada deve ser ligada numa rede de 110V  da qual vai "sugar" 60W, ou seja, 60 J/s (60 joules de energia elétrica a cada segundo). Mas o problema é que nem toda essa energia elétrica consumida à taxa 60 J/s será transformada em energia luminosa. Na prática, o que interessa para o usuário é o quanto desta energia elétrica consumida a lâmpada consegue converter em luz, ou seja, qual o poder que a lâmpada tem de iluminar frente ao que ela consome.
Uma lâmpada tradicional incandescente, aquela que tem um filamento, uma espécie de "araminho" de tungstênio que superaquece para começar a emitir luz, desperdiça muita energia na forma de calor. Em outras palavras, "rouba" bastante energia elétrica da rede mas "entrega" proporcionalmente pouca energia luminosa. Já uma lâmpada fluorescente compacta, que produz luz a partir de um processo de excitação quântica e, portanto, não precisa "gastar" energia esquentar, "rouba" menos energia da rede elérica para "entregar" uma mesma quantidade de energia na forma de luz. Consequentemente, há uma economia de energia elétrica "gasta" em comparação com a energia luminosa "entregue". Dá para entender a ideia?
Para facilitar as contas, há uma relação de aproximadamente 1/4 nas potências quando comparamos lâmpadas fluorescentes compactas com incandescentes. Se pensarmos numa lâmpada incandescente de 110V / 60 W, como a citada acima, podemos substituí-la por outra fluorescente compacta de 110 V / 15W. Note que 15W = 60/4, ou seja, existe a relação 1/4 entre as potências como já afirmei. Isso quer dizer que ambas são ligada na mesma rede de 110V. Mas, enquanto a incandescente "gasta" 60 J/s de energia elétrica da rede para entregar um determinado fluxo luminoso, a fluorescente "gasta" apenas 15 J/s (um quarto) conseguindo entregar o mesmo fluxo luminoso, ou seja, tendo o mesmo poder de iluminar que a incandescente que assim mostra-se menos eficiente que a fluorescente.
Resumindo: a lâmpada incandescente gasta cerca de quatro vezes mais energia que uma fluorescente compacta equivalente, ou seja, para um mesmo poder de iluminação. E quem paga a energia gasta pela lâmpada é o consumidor, ou seja, você! E você também sabe que quanto mais usamos energia elétrica mais precisamos de usinas geradoras e, consequentemente, produzimos mais impacto ao meio ambiente. Com lâmpadas fluorescentes compactas você economiza no próprio bolso e também "economiza planeta". Certo?
II - Custo e vida útil das lâmpadas 
Uma lâmpada fluorescente compacta agrega componentes eletrônicos e, portanto, tem um custo bem maior do que uma incadenscente. No entanto, com a economia de energia ao longo do seu uso, este custo se paga e com sobra. Logo, vale a pena investir um pouco mais numa fluorescente compacta mas, a longo prazo, economizar na conta de energia elétrica ao final do mês.
Uma boa notícia é que, com o aquecimento do mercado, com maior produção de lâmpadas fluorescentes, o seu custo vem caindo, o que melhora ainda mais a relação custo/benefício para o usuário.
Outro dado importante é a durabilidade. Espera-se, em média, que uma lâmpada incandescente dure cerca de 1000 h. Uma fluorescente compacta dura, em média, o triplo, ou seja, 3000 h. Isso também ajuda bastante na relação custo/benefício. Mas uma enorme vantagem diferencial é que, por icorporar componentes eletrônicos, as fluorescente compactas vêm com garantia de fábrica. No ato da compra geralmente recebem um selo com a data. Se elas queimarem dentro do prazo da garantia, o fabricante se responsabiliza pela troca. Isso já aconteceu comigo e tive outra lâmpada novinha coberta pela garantia.  Uma lâmpada incandescente nunca teve nem terá garantia. Se ela queimar, especialmente com pouco uso, é prejuízo certo e imediato para o usuáro.
Resumindo: lâmpadas fluorescentes têm maior durabilidade e garantia do fabricante o que melhora ainda mais a relação custo/benefício
III - Cor e conforto visual 
As primeiras lâmpadas fluorescentes compactas do mercado emitiam luz branco-azulada que geravam desconforto visual. As incandescentes produzem uma luz mais amarelada que dá mais conforto vistual para o usuário. Por conta disso, muita gente, mesmo sabendo da ineficiência das lâmpadas incandescentes, continuava usando-as por uma questão de conforto.
Os fabricantes agiram rapidamente e já produzem lâmpadas com temperatura de cor variável. Este termo técnico refere-se à emissão de radiação eletromagnética na faixa do espectro visível (luz), do vermelho ao violeta, por um corpo aquecido.  Corpos a temperaturas menores produzem luz na porção inicial do espectro, ou seja, luz mais amarelada. Corpos mais quentes, com temperaturas mais altas, produzem luz na porção final o espectro, ou seja, luz mais azulada. 
Na hora de comprar uma lâmpada fluorescente compacta, fique atento no valor da temperatura de cor. Valores 2700 K e 3000 K correspondem à luz mais amarelada. Acima de 3500 K são lâmpadas que produzem luz mais azulada.
No meu apartamento só uso lâmpada fluorescentes. Na cozinha, área de serviço, banheiros e escritório uso lâmpadas com temperatura de cor em torno de 6400 K, ou seja, lâmpada de cor branca e mais azuladas.


Iluminação fluorescente no meu escritório: 6400 K

Nas salas de estar e jantar e também nos quartos uso lâmpadas com temperatura de cor mais baixa, em torno de 2700 K e, portanto, com luz mais confortável, mais amarelada, dando uma sensação de mais aconchego.


Iluminação fluorescente na sala de jantar: 2700 K

Resumindo: lâmpadas fluorescentes compactas podem emitir luz mais amarelada, parecida com a luz da lâmpada incandescente, ou mais azulada. Você escolhe o que prefere dependendo do uso que quer dar para a lâmpada. 
IV - Quando a lâmpada vira lixo
As lâmpadas fluorescentes não devem ser descartadas no lixo comum. Eles costumam trazer mercúrio no seu interior. E todos sabemos que mercúrio é perigoso para a saúde.
No entanto, é este mercúrio, na forma de vapor, que é excitado para emitir radiação eletromagnética ultravioleta que por sua vez vai excitar a camada de fósforo que cobre o bulbo da lâmpada internamente. É este fósforo excitado que fluoresce emitindo luz visível, a luz capaz de estimular as células nervosoas da retina dos nossos olhos e, portanto, com poder de iluminar os ambientes.    
Receita básica para comprar uma lâmpada fluorescente compacta


Os dados importantes estão escritos nas embalagens das lâmpadas

Vamos supor que você tenha em sua casa uma lâmpada incandescente de valores nominais 220V - 100W.
A lâmpada fluorecente compacta que a substitui sem perda no poder de iluminação deve ter a mesma "voltagem", ou seja, 220V. Mas apenas 1/4 da potência. Então, 100W/4 = 25W.
E você decide se quer uma lâmpada de luz mais azulada (temperatura de cor acima de 3500 K) ou prefere luz mais amarelada, mais parecida com aquela que é emitida pela lâmpada incandescente (temperatura de cor abaixo de 3000 K).
Todos estes dados vêm impressos na lâmpada e devem também estar destacados na embalagem do produto. É só ficar atento e fazer a compra certa, garantindo economia e conforto!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Iluminação Natural







Charme, economia e comportamento ecológico.

Com a crise energética e a limitação dos recursos, a preocupação com o consumo de energia elétrica é um assunto cada vez mais discutido em todo no mundo. O desafio da arquitetura contemporânea é buscar soluções e meios de criar projetos funcionais, sustentáveis e atraentes, de forma que os futuros moradores economizem os recursos do nosso planeta.

Investir na iluminação natural do seu lar traz benefícios à saúde, ao seu bolso e principalmente ao nosso planeta. À saúde, porque a luz do sol em doses moderadas é saudável e estimulante. Ao bolso, porque quanto maior for a área de entrada para a luz natural da sua residência, maior será a economia de energia. E ao nosso planeta porque diminuindo o uso de iluminação artificial economizamos recursos e ajudamos a preservar o lugar onde vivemos.

Para utilizar melhor a benéfica e gratuita luz natural, os arquitetos costumam utilizar em seus projetos áreas envidraçadas, claraboias, telhas transparentes, tijolos de vidro, brises, pele de vidro, bay windows (janelas salientes), sacada com peitoril de vidro, amplas janelas de vidro e outras técnicas.

Segundo a arquiteta Luitanara Mamede, Coordenadora de Produto do Grupo Thá, as estratégias arquitetônicas mais utilizadas em empreendimentos residenciais verticais são janelas amplas e sacada com peitoril de vidro.

“Para permitir que a luz natural entre nos ambientes de maneira mais fácil, muitas janelas possuem altura que as aproximam do chão. Nos apartamentos com sacadas, o interessante é que as sacadas possuam peitoril de vidro.” – Luitanara Mamede 

Um ótimo exemplo de empreendimento com amplas janelas que facilitam a iluminação natural é o Belvedere Joinville, na cidade de Joinville. Outros empreendimentos da Thá que também utilizam esse recurso são o Ilhas do Atlântico, no litoral do Paraná, e Aloha Home Resort, na Praia Brava. No litoral, uma janela ampla além de iluminar ambientes e ajudar a reduzir o consumo de energia elétrica, amplia a bela vista para o mar.
 
Confira algumas estratégias arquitetônicas que favorecem a luz natural dos ambientes:

Pele de Vidro:
grande parede de vidro utilizada em empreendimentos comerciais, mas cada vez mais comum em casas modernas e em empreendimentos residenciais. O vidro deve ser temperado ou laminado, para filtrar os raios solares e o calor e proteger móveis. Quando combinado com brises, ajudam a evitar a entrada da luz direta do sol.
Brises: quebra-sol em forma de lâminas de alumínio, peças de madeira, concreto, plástico ou metal instalado vertical ou horizontalmente nas fachadas de residências ou empreendimentos para controlar a incidência de luz solar, sem perder a ventilação. Além de moderno, seu uso reduz a potência do ar-condicionado e o consumo de energia.
Bay window: modelo de janela saliente projetada para fora da construção. Além de aumentar a entrada da luz natural, esse recurso dá a ilusão de um ambiente maior. Esse estratégia de arquitetura foi utilizada no Hampton Village, empreendimento da Thá construído no Cabral.
Tijolo de Vidro: vidro laminado e temperado, que ilumina os ambientes revelando a sinuosidade dos objetos, sem ser transparente. Pode ser utilizado em fachadas e em divisórias entre banheira e box.
Amplas janelas de Vidro: Destacam-se por serem de vidro do teto ao chão, proporcionando uma amplitude do local, maior ventilação, luminosidade e ainda garante ao morador uma bela e ampla vista.

Que tal abusar da iluminação natural e ajudar a preservar o planeta?

Além de contribuir com a redução do consumo de energia, esses recursos também podem contribuir com o conforto e leveza dos ambientes, dando charme e sofisticação ao lar.

Fonte: www.tha.com.br

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Projetos de Eficiência Energética - Nossos Serviços!

Projetos de Eficiência Energética 

A aplicação da eficientização energética em diversos setores de nossa
sociedade é uma prática que deve ser considerada essencial nos dias atuais.
Em qualquer segmento, pode trazer significativa redução de custos, bem como aumento no rendimento energético de equipamentos e instalações, com a consequente melhoria da qualidade dos produtos fabricados.
O que podemos fazer para a sua Empresa:
a- Análise de consumo : instalar e realizar medições;
b- Redução de custos:    propôr diretrizes econômicas e tarifárias;
c- Melhorias no processo produtivo: indenficar novas oportunidades.

O que é eficiência energética? 
 
Qualquer atividade em uma sociedade moderna só é possível com o uso intensivo de uma ou mais formas de energia.
Dentre as diversas formas de energia interessam, em particular, aquelas que são processadas pela sociedade e colocadas à disposição dos consumidores onde e quando necessárias, tais como a eletricidade, a gasolina, o álcool, óleo diesel, gás natural, etc.
A energia é usada em aparelhos simples (lâmpadas e motores elétricos) ou em sistemas mais complexos que encerram diversos outros equipamentos (geladeira, automóvel ou uma fábrica).
Estes equipamentos e sistemas transformam formas de energia. Uma parte dela sempre é perdida para o meio ambiente durante esse processo. Por exemplo: uma lâmpada transforma a eletricidade em luz e calor. Como o objetivo da lâmpada é iluminar, uma medida da sua eficiência é obtida dividindo a energia da luz pela energia elétrica usada pela lâmpada.
Da mesma forma pode-se avaliar a eficiência de um automóvel dividindo a quantidade de energia que o veículo proporciona com o seu deslocamento pela que estava contida na gasolina originalmente.
Outra fonte de desperdício deriva do uso inadequado dos aparelhos e sistemas. Uma lâmpada acesa em uma sala sem ninguém também é um desperdício, pois a luz não serve ao seu propósito de iluminação.
Também um veículo parado em um engarrafamento está usando mais energia do que a necessária por conta do tempo que fica parado no congestionamento.
Outros fatores mais sutis explicam muitos desperdícios. Um construtor barateia a construção não isolando o "boiler" e os canos de água quente, pois quem pagará pelo desperdício será o consumidor.
Vale notar que esses efeitos se multiplicam à medida que a energia vai migrando por todos os setores da economia.  

Por que se desperdiça energia?

Uma lâmpada incandescente comum tem uma eficiência de 8% (ou seja, 8% da energia elétrica usada é transformada em luz e o restante aquece o meio ambiente). A eficiência de uma lâmpada fluorescente compacta, que produz a mesma iluminação, é da ordem de 32%.
Como o preço da lâmpada eficiente é entre 10 a 20 vezes mais caro do que a comum, a decisão de qual delas comprar dependerá de fatores econômicos que consideram a vida útil de cada uma e a economia proporcionada na conta de luz.
Os cálculos para tomar a decisão acima não são triviais. Exigem o domínio de ferramentas de matemática financeira desconhecidas pela maioria dos consumidores.
A seleção de equipamentos e sistemas mais complexos pode ser mais difícil ainda. Esta é a razão pela qual muitos consumidores usam inadequadamente todas as formas de energia.
Para informações detalhadas de como podemos auxiliá-lo entre em contato conosco:
Telefone:  42-3222-3500    -  Skype: reativa.service

EnduraLED: mais luz por menos dinheiro

EnduraLED lâmpada LED que proporciona uma economia de 80% e dura 25 vezes mais que uma lâmpada de 60 watts?

Esta é a realidade do novo lançamento da Philips, a EnduraLED. A lâmpada proporciona 806 lúmenes com apenas 12 watts. A Philips também resolveu um dos grandes problemas dessas lâmpadas: aquela irritante luz opaca, de tom branco-azulado pouco agradável.
O novo modelo tem uma cobertura de fósforo amarelada que faz com que a luz se pareça bastante com a emitida por uma lâmpada incandescente.
A empresa estima que o seu uso poderia economizar 32,6 terawatts-hora de electricidade ao ano (o suficiente para iluminar 16,7 milhões de lares nos EUA) e eliminar a geração de 5,3 milhões de toneladas métricas de emissões de carbono ao ano.
EnduraLED
Fonte: Energia Eficiente

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Suzlon monta turbina para parque eólico em 60 dias

Operação relâmpago foi contratada pela espanhola Impel para a usina de Alhandra I, na Paraíba
Da redação

Crédito: gettyimages

A Suzlon, indiana que trabalha no segmento de produção de turbinas eólicas, foi procurada pelo grupo espanhol Impel para cumprir um desafio: montar um parque eólico em menos de 120 dias. A usina em questão era Alhandra I, na Paraíba, que terá 6.3MW de capacidade instalada e está orçada em R$22 milhões. O projeto, que foi viabilizado pelo Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) fez com que a Suzlon acionasse suas unidades no Brasil, nos Estados Unidos e na Índia.
Com a logística, a Suzlon conseguiu montar a primeira das três turbinas S88, com 2,1MW de capacidade cada, em 60 dias, tempo considerado recorde. “Quando a Impel nos procurou com este desafio, vimos a oportunidade de colocar à prova a experiência que nos trouxe à liderança do mercado brasileiro, com 45% de toda potência eólica instalada. A energização da primeira máquina em 60 dias confirmou nossas expectativas. Este resultado é um primeiro projeto de uma longa e duradoura parceria com a Impel, com quem já estamos discutindo novos projetos”, comenta Arthur Lavieri, diretor-presidente da Suzlon no Brasil.
A Impel já possui mais de 15 anos de atuação na Europa, onde participa como investidora ou operador de mais de 40 parques eólicos. No Brasil, a companhia marcou sua entrada com o projeto de Alhandra I. "É com base nessa experiência que planejamos chegar a 1.000MW instalados no Brasil dentro dos próximos anos", adianta Lusivaldo Curvina, diretor-presidente da companhia no País.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Economia de energia: fim de linha para incandescentes

Da Agência Ambiente Energia - Assim como já acontece em outros países, as lâmpadas incandescentes estão com os dias contatos no Brasil. 


Até 2016, este tipo de lâmpada será retirada paulatinamente do mercado, segundo a Portaria nº 1.007, editada pelos ministérios de Minas e Energia, Ciência e Tecnologia e Indústria e Comércio e publicada no Diário Oficial do dia 6 de janeiro. Uma outra portaria, a nº 1.008, estabelece o Programa de Metas das Lâmpadas Fluorescentes Compactas. A estimativa é alcançar uma economia escalonada de cerca de 10 terawatts-hora (TWh/ano), até 2030, o que equivale a mais do que o dobro conseguido com o Selo Procel, utilizado atualmente.

De acordo com a portaria 1007, fazem parte da regulamentação as lâmpadas incandescentes de uso geral, exceto as incandescentes com potência igual ou inferior a 40 Watts (W); incandescentes específicas para estufas – de secagem e de pintura – equipamentos hospitalares e outros; incandescentes refletoras/defletoras ou espelhadas, entre outras.
De 30 de junho de 2012 até 30 de junho de 2016 – a não ser que surja uma nova tecnologia que permita às lâmpadas incandescentes se tornarem mais eficientes – esse tipo de produto será banido do mercado, segundo técnicos do Ministério de Minas e Energia.
No mercado brasileiro existem 147 modelos de lâmpadas incandescentes etiquetadas, de quatro fabricantes diferentes. Estima-se que a lâmpada incandescente seja responsável por aproximadamente 80% da iluminação residencial no Brasil. O mercado brasileiro consome atualmente cerca de 300 milhões de lâmpadas incandescentes e 100 milhões de lâmpadas fluorescentes compactas.
Segundo o MME, este montante de incandescente deverá ser, paulatinamente, substituído por lâmpadas mais eficientes, como LFC (lâmpada fluorescente compacta), fluorescente tubular, halógena, ou mesmo LED (diodos emissores de luz) que, ao ganharem escala, deverão ter seus preços reduzidos para o consumidor final. (com informações da Agência Brasil)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Especial Carros Híbridos e Elétricos

Cláudio Accioli, especial para Plurale em revista


 

Eles existem há mais de cem anos, mas durante a maior parte desse tempo foram vistos com desconfiança e uma boa dose de ceticismo. Aos poucos, porém, os chamados carros “verdes” ou ecológicos, com baixa emissão de poluentes, ganharam terreno, credibilidade e defensores, passando a ser considerados alternativas reais de mobilidade em um planeta cada vez mais carente de saúde ambiental. Sejam híbridos ou elétricos, seu mercado avança na mesma velocidade da adesão de governos e consumidores aos conceitos de sustentabilidade, levando as principais montadoras do mundo a abrir-lhes espaço crescente em seus planos e pátios.
Os recentes eventos do setor foram vitrines dessa tendência. Na França, o tradicional Salão de Paris, promovido em outubro, reuniu uma expressiva quantidade de lançamentos, em especial no segmento dos híbridos, que combinam motores a combustão e elétrico. No Brasil, o 26º Salão Internacional do Automóvel, realizado no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo, entre os dias 27 de outubro e 7 de novembro, também se caracterizou por apresentar diversas novidades no setor. Foi uma edição histórica da feira bienal, que comemorou 50 anos e contou com a cobertura de Plurale em Revista.
As primeiras versões de veículos elétricos datam do século XIX e faziam grande sucesso, dominando os estandes de venda. Para que se tenha uma ideia, por volta de 1890, esses modelos chegavam a vender até dez vezes mais do que os concorrentes movidos a gasolina. Grande parte dos fabricantes que mais tarde se destacaram na produção de carros com motor a explosão – incluindo a pioneira Ford - teve sua origem associada aos elétricos.
Mas por que essa tecnologia não prosperou? De forma geral, pelas mesmas limitações que persistem ainda hoje: produção de custo elevado, dada a falta de escala; peso, tamanho e baixa capacidade de armazenamento das baterias, o que implica autonomia reduzida; e ausência de infraestrutura para abastecimento. “Na época, o que se buscava era apenas percorrer o mesmo trajeto por um custo menor, sem levar em conta questões ambientais. Por isso, os veículos movidos a gasolina acabaram se mostrando uma opção economicamente mais viável, sobretudo após a introdução do conceito de linha de montagem, em 1910”, explica o supervisor de Engenharia e Planejamento da Mitsubishi Motors no Brasil, Fábio Maggion.
A produção em série aniquilou os pequenos fabricantes de elétricos, com direito a uma ironia: foi a incorporação de um dispositivo elétrico para efetuar a ignição dos motores a explosão (o chamado arranque) que alavancou de vez as vendas dos carros movidos a gasolina, ao livrar os motoristas da folclórica e incômoda manivela. Ainda assim, alternando períodos de maior ou menor interesse, o fato é que os especialistas e fabricantes jamais abandonaram completamente as experiências com os veículos elétricos e híbridos. “A tecnologia de híbridos associando motores elétrico e a diesel teve grande impulso na Segunda Guerra Mundial, em especial para uso em caminhões de transporte de equipamento militar pesado. Depois, foi aplicada a locomotivas e até a navios”, diz o diretor-presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), Pietro Erber.
Entre erros e acertos, as soluções foram avançando e se tornando mais viáveis, em particular no que diz respeito à evolução das baterias e de outros componentes estruturais desses veículos. Mas a maior e mais decisiva transformação ocorreu recentemente, sob a forma de uma importante mudança de paradigma: o conceito de eficiência energética, até então restrito à lógica puramente econômica, passou a abranger também aspectos ambientais, visando à redução dos níveis de emissão de CO2 e outros gases de efeito estufa, que contribuem para o aquecimento global.
No mundo inteiro, a adoção de controles cada vez mais rigorosos neste sentido tem acelerado a busca por tecnologias limpas, em especial no setor de transportes, responsável pelo consumo estimado de cerca de 60% do petróleo produzido no mundo e 14% das emissões de CO2. Cientes da resistência natural a novidades, e diante dos preços ainda elevados dos veículos ambientalmente amigáveis ante os tradicionais, países como EUA, Japão, China e alguns membros da União Europeia vêm praticando políticas de incentivo que incluem não apenas vantagens fiscais, mas também bônus diretos na aquisição desses modelos (que chegam a ultrapassar US$ 5 mil em alguns países).
“No momento, independentemente da tecnologia, o que existe em escala global é uma busca de todas as montadoras por motores menos poluentes e mais econômicos no uso de combustíveis líquidos, para atender aos programas de controle de emissões. Porém, como esses programas estão chegando ao limite de sua capacidade de produzir resultados, será preciso encontrar novas soluções. Daí o interesse despertado pelos veículos híbridos e elétricos”, afirma o diretor das Comissões Técnicas da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil), Luso Ventura.
Por trás da questão ambiental, há a preocupação estratégica desses governos de assegurar que suas indústrias automobilísticas dominem as novas tecnologias e se tornem competitivas nesse mercado, que tende a crescer no futuro. Dados da consultoria PwC mostram que a participação de carros elétricos e híbridos nas vendas globais evoluiu de 0,8% do total em 2008 para cerca de 1,8% em 2010, devendo alcançar 4% em 2016. Há quem aposte em uma frota de 10% em 2020.
Em números absolutos, as vendas desses modelos em 2010 já superam a barreira de um milhão de unidades, com grande predominância dos países asiáticos. Em outubro, a Toyota anunciou que o seu híbrido Prius, lançado em 1997, ultrapassou a marca dos dois milhões de carros comercializados. A Honda, com o híbrido Insight, e a Mitsubishi e a Nissan, com seus elétricos i-MiEV e Leaf, respectivamente, também vêm investindo forte em tecnologia limpa. No ano passado, veículos híbridos já foram os mais vendidos no Japão, dentre todos os segmentos.
No Brasil, embora os programas de inspeção e controle de emissões veiculares tenham evoluído nos últimos anos, a presença de automóveis híbridos ou elétricos ainda é incipiente, limitando-se a experiências sem fins comerciais, visando apenas ao desenvolvimento da nova tecnologia. O quadro, porém, começou a se alterar recentemente, com o crescente interesse das principais montadoras em introduzir seus veículos ecológicos no país: “Essas ações, embora não representem o business das empresas, são uma espécie de bandeira tecnológica, uma demonstração de que nenhuma delas quer ficar fora desse novo mercado”, analisa Luso Ventura. No caso brasileiro, um mercado que deve fechar 2010 como o quarto do planeta, atrás apenas de Japão, EUA e China.
Atento ao novo cenário, o governo brasileiro analisa a edição de um pacote de medidas para estimular o uso dos carros elétricos e híbridos no país, com base na concessão de incentivos fiscais tanto para a compra quanto para o desenvolvimento tecnológico. Atualmente, por não contar com uma classificação específica na tabela de incidência do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), os veículos elétricos são tributados à alíquota máxima para automóveis: 25% - cerca do dobro da vigente para os demais.
O programa está sendo conduzido por um grupo de trabalho no âmbito da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, mas ainda não foi aprovado, por envolver uma questão delicada: o estímulo a esses veículos ameaçaria o desenvolvimento da tecnologia flexível em combustível (leia-se etanol), na qual o Brasil foi pioneiro e que tem consumido grande parte dos investimentos das montadoras nacionais nos últimos anos.
“O programa precisa refletir a realidade do país. Por isso, do ponto de vista do governo, esta ação de eletrificação veicular deverá estar casada com a atual política de combustíveis, que é de reforço ao uso do etanol. Trata-se de uma opção energética do Brasil muito elogiada internacionalmente e que vai ser mantida, pois nos confere autonomia”, afirma o secretário adjunto da SPE, Dyogo Oliveira, lembrando que os demais países, por não contarem com essa alternativa, tornam-se mais dependentes das novas tecnologias e, portanto, mais propensos a estimulá-las: “Na verdade, estamos falando de adaptar a tecnologia às condições de mercado de cada país”.
Nesse contexto, Oliveira não hesita em apontar os veículos híbridos como soluções mais compatíveis com a atual realidade brasileira do que os elétricos puros: “Para nós, seriam a chamada solução ótima, pois abririam espaço para a utilização do etanol na parcela de sua força motriz proveniente do motor a combustão. E é visível que a indústria automotiva tem concentrado seus investimentos mais nesse segmento”, diz o secretário, que demonstra um interesse especial por automóveis e foi conferir pessoalmente as tendências no recente Salão de Paris: “É impressionante como todas as grandes montadoras do mundo apresentaram veículos híbridos e elétricos, não mais como meras curiosidades, mas como as principais estrelas de seus estandes”.
Aos mais animados, porém, Oliveira lembra que, no caso do Brasil, o programa de incentivo a esses modelos visa principalmente a assegurar o domínio da nova tecnologia, sem fixar metas de curto prazo. E resume a proposta de forma bem objetiva: “O país tem que estar apto a desenvolver e produzir esses veículos, o que não necessariamente significa dizer que irá fazê-lo. Vivemos uma fase de transição tecnológica da indústria, que está começando agora e não sabemos quando se tornará relevante. A única certeza que temos é a de que o Brasil não pode ficar fora dela”.
Onda verde chega ao Brasil: grandes montadoras sondam mercado no país
O 26º Salão do Automóvel mostrou uma grande quantidade de veículos híbridos e elétricos (muitos deles sob a forma do chamado “conceito” ou carro de imagem), mas a maioria não está disponível para o consumidor brasileiro. Embora tenham avançado nos últimos anos, as iniciativas mais concretas das grandes montadoras no país ainda estão restritas a testes, pesquisa e desenvolvimento.
Quem desejar adquirir um moderno veículo híbrido, por exemplo, terá somente duas opções: o Mercedes-Benz S-400 e o Ford Fusion Hybrid (foto acima), cuja venda em território nacional foi anunciada durante o evento pelo próprio presidente da empresa, Marcos de Oliveira. E deverá estar disposto a pagar caro pelo privilégio. Vendido sob encomenda, o sedã de luxo alemão custa US$ 253,5 mil (cerca de R$ 430 mil). Lançado em julho, alcança a marca de 12,66 km/l, com emissão de CO2 de 186 gramas por quilômetro, segundo dados da fábrica.
Já o Fusion Hybrid tem preço de R$ 133.900,00 e promete consumo ainda menor, acima dos 17 km/l, também de acordo com a montadora: “Trata-se de um produto com a mais avançada tecnologia voltada à sustentabilidade, e que terá emissões 90% inferiores aos níveis exigidos para 2015. É parte fundamental da estratégia da Ford para o futuro, em especial quando o Brasil começa a discutir a eletrificação veicular”, disse o presidente da montadora no lançamento.
Com ambições ainda maiores quanto à meta de emissão zero, Mitsubishi e Nissan apostam suas fichas em modelos elétricos puros, eliminando a etapa de transição dos híbridos: o i-MiEV (compacto para quatro passageiros) e o Leaf (hatch com capacidade para cinco pessoas), respectivamente. Lançados no Japão, ambos têm autonomia de até 160 km - considerada boa para veículos de perfil urbano – e suas baterias, de íons de lítio, podem ser recarregadas em tomadas comuns, de 110 ou 220 volts – de preferência de madrugada, quando a tarifa é mais barata, ensinam seus idealizadores.
“Para o Brasil, o i-MiEV seria perfeito, pois o país tem uma matriz energética muito limpa, gerada por usinas hidrelétricas, principalmente nos grandes centros urbanos, o que favoreceria uma emissão zero de CO2”, destaca Fábio Maggion, da Mitsubishi. A montadora planeja vender o carro no Brasil, mas antes fará um trabalho de ambientação, cedendo-o para uso de empresas de energia e órgãos governamentais. “Queremos mostrar que já se trata de uma realidade, não de um projeto. A ideia é vender ao público em 2015, o que pode ser considerado um ótimo prazo”.
Planos muito parecidos com os da concorrente para o Leaf. No Salão do Automóvel, o chairman da Nissan para as Américas, Carlos Tavares, informou que a empresa assinou um protocolo de intenções com a Prefeitura de São Paulo para que o carro seja utilizado nas frotas da cidade. “É um compromisso que estamos assumindo com o meio ambiente. Mais adiante, os brasileiros terão à disposição um veículo de emissão zero e com baixo custo de manutenção, capaz de proporcionar uma economia de até R$ 14 mil em três anos de uso”.
Outra grande montadora que está atenta à evolução das novas tecnologias voltadas para redução das emissões de CO2 é a Fiat. Líder do mercado no Brasil, a empresa foi a primeira a conceber a propulsão elétrica para um chamado carro de série – no caso, um Palio -, a partir de convênio firmado em 2006 com a Itaipu Hidrelétrica e a empresa KWO. Mas, segundo declarou a Plurale o presidente da empresa, Cledorvino Bellini, o projeto não tem objetivos comerciais: “No momento, o que buscamos é desenvolver tecnologia, visando a expandir suas possibilidades de utilização. Mais especificamente, estamos trabalhando na melhoria da capacidade de armazenamento das baterias, visando à ampliação da autonomia do veículo e redução de custos”.
Ainda segundo Bellini, embora o carro elétrico tenha lugar assegurado na matriz futura da mobilidade - o que explica a parceria com Itaipu -, a Fiat enxerga o segmento como um nicho de oportunidade comercial a médio prazo: “Por enquanto”, afirma, “ainda não há escala suficiente para produção em massa, nem rede de abastecimento estruturada para atender a um mercado com a amplitude do nosso”. A fabricação dos 50 veículos contratados no projeto está em fase de conclusão.
Abaixo as emissões: híbridos e elétricos dominam corrida ecológica
A discussão sobre a adoção de tecnologias limpas na indústria automotiva avançou muito nos últimos anos. Atualmente, de modo simplificado, existem duas linhas de produtos: os chamados veículos elétricos puros, ou seja, movidos exclusivamente a bateria; e os veículos híbridos, que combinam motores a combustão e eletricidade.
Em geral, os veículos elétricos puros são compactos e destinados a pequenos deslocamentos, dada sua autonomia reduzida (entre 70 e 160 km). Essa limitação decorre do fato de que a capacidade de armazenamento de energia das baterias ainda é baixa, apesar da evolução ocorrida nos últimos anos no que toca ao elemento utilizado em sua confecção: do chumbo para o níquel e deste para os atuais íons de lítio, tecnologia desenvolvida pela indústria eletroeletrônica.
A energia para abastecimento das baterias provém de fonte externa ao veículo, como a rede elétrica, à qual o automóvel pode ser conectado através de uma simples tomada. Neste caso, para que o veículo seja considerado de emissão zero de carbono, é preciso levar em conta as fontes primárias utilizadas na geração dessa energia. Os veículos elétricos puros também podem ser alimentados por energia gerada a bordo, por células a combustível que consomem hidrogênio. Porém, este ainda é um recurso pouco empregado, dado seu alto custo.
Já os veículos híbridos têm sido uma alternativa mais difundida na indústria automotiva, pelo fato de superarem duas das mais evidentes limitações dos carros elétricos puros: tamanho e autonomia.
Também de modo resumido, dividem-se em três tipos: sistema em paralelo, no qual tanto o motor a combustão quanto o elétrico podem impelir o veículo, ao mesmo tempo ou de forma independente; sistema em série, no qual o motor a combustão não movimenta diretamente as rodas, mas apenas alimenta um gerador que recarrega as baterias e move o elétrico; e o que combina ambos os sistemas, chamado híbrido pleno (full hybrid), em que o motor a combustão pode recarregar a bateria mesmo quando estiver atuando na propulsão do veículo. Atualmente, alguns desses modelos podem ter suas baterias carregadas diretamente na rede elétrica. São os chamados híbridos plug-in.
As vantagens ou desvantagens dessas tecnologias variam em função do uso que se pretende fazer do automóvel. “Híbridos e elétricos são complementares, não-excludentes. Por sua maior autonomia, os híbridos proporcionam uma utilização mais abrangente, como em viagens, enquanto os elétricos puros têm vocação tipicamente urbana”, avalia Fábio Maggion, da Mitsubishi.
Da mesma forma, quando o assunto é o bolso do consumidor, também há vantagens e desvantagens: se o custo inicial ainda é elevado ante o dos similares tradicionais, o operacional é bem menor – cerca de quatro vezes menos por quilômetro rodado em reais. “Por essa razão, tornam-se mais vantajosos em situações de uso intensivo, como no caso dos táxis. Em Nova York, por exemplo, 40% da frota já é de híbridos”, diz Pietro Erber, da ABVE.
Em sua maioria, os especialistas consideram que os veículos híbridos, pelo fato de não exigirem mudanças imediatas de logística e infraestrutura, tendem a se consolidar como opções mais viáveis do que os elétricos a médio prazo. “No Brasil, podem se tornar economicamente viáveis em cinco anos, associando motores elétricos e movidos a etanol”, estima o gerente de Certificação da Toyota e diretor da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, Edson Orikassa. Eles também concordam que a principal função dos híbridos será a de preparar, como o próprio nome sugere, uma transição para os elétricos puros, considerados mais limpos.
“Há um longo caminho a percorrer. O carro elétrico ainda vai conviver com as demais alternativas por muitos anos, sem eliminá-las. Mas certamente prevalecerá, no futuro, como a tecnologia energética mais eficiente”, aposta o diretor-presidente da ABVE, Pietro Erber. Ao que tudo indica, um caminho sem volta, um futuro sem marcha à ré.
Gurgel, um pioneiro plugado no futuro
“Carro não se fabrica, se compra”. A frase foi dita, nos idos de 1949, por um professor contrariado a um formando em Engenharia que acabara de apresentar como tese de conclusão de curso o projeto de um pequeno veículo de dois cilindros, batizado Tião, em vez de um guindaste, verdadeiro tema do trabalho. Só que o aluno, chamado João Augusto Conrado do Amaral Gurgel, apesar de ameaçado de reprovação, não se intimidou com a observação do mestre. Formou-se na Escola Politécnica de São Paulo, pós-graduou-se nos Estados Unidos e, de volta ao Brasil, tornou-se sinônimo de automóvel, ao fundar, em 1969, na cidade de Rio Claro, no interior paulista, a Gurgel Motores S/A.
De sua linha de montagem, e da cabeça do visionário engenheiro, saíram os primeiros e únicos carros genuinamente brasileiros da indústria automobilística nacional. Alguns chegaram a fazer história, como o urbano BR-800 e os utilitários Xavante e Carajás, todos movidos a gasolina. Mas o mais revolucionário deles certamente foi o elétrico Itaipu, lançado, por coincidência, no Salão do Automóvel de 1974, há exatos 36 anos. Seu nome era uma homenagem à hidrelétrica binacional que acabava de ser inaugurada, marcando uma nova era na política energética brasileira, em meio ao primeiro choque internacional do petróleo.
Pioneiro na América Latina, o carrinho de dimensões compactas (apenas 2,65m de comprimento por 1,40m de largura) e formato de trapézio transportava dois passageiros e era inteiramente feito de fibra de vidro, característica marcante de todos os veículos fabricados pela Gurgel. Alimentado por um conjunto de oito baterias de chumbo, o motor situado entre-eixos gerava potência de 4,2 HP, levando o Itaipu a atingir a velocidade de 50 km/h. A autonomia alcançava até 80 km e as baterias podiam ser recarregadas em tomadas comuns, a exemplo dos sofisticados elétricos e híbridos plug-in de hoje.
Porém, apesar da novidade, e da economia proporcionada pelo veículo em uma época de escassez de combustíveis fósseis, o Itaipu acabou sucumbindo aos obstáculos que sempre frearam a trajetória dos elétricos: peso e capacidade limitada de armazenamento das baterias, o que implicava baixa autonomia; tempo elevado para recarga; e, sobretudo, preponderância da eficiência econômica sobre a ecológica, em um mundo ainda longe de se preocupar com a preservação do meio ambiente. Superada a fase aguda da crise do petróleo, a fábrica seguiu produzindo modelos a combustão ao longo da década de 1980, mas acabou fechando as portas em 1994, pressionada por dívidas e pela concorrência de um mercado já mais aberto, complexo e disputado.
Falecido em janeiro de 2009 aos 83 anos, Gurgel deixou como principal legado a certeza de que carro se fabrica, sim – como atestam várias de suas “crias” ainda em circulação pelas ruas brasileiras, incluindo exemplares do Itaipu –, e que o Brasil, quarto maior mercado automobilístico do planeta, tem um papel a cumprir no desenvolvimento de tecnologias cada vez mais limpas para o setor. *Colaborou o jornalista Lélis Caldeira, autor do livro “Gurgel, um brasileiro de fibra” (Editora Alaúde, 2008)
Eike Batista de olho no mesmo circuito
Quase quatro décadas depois, a mensagem de Gurgel parece ter sido captada por outro empresário brasileiro cujo perfil também é marcado por ousadia e pioneirismo: Eike Batista, presidente do Grupo EBX. Em setembro deste ano, ele anunciou o interesse em construir uma fábrica para a produção de carros elétricos ao lado do Superporto do Açu, maior investimento em infraestrutura portuária da América Latina, em implantação no município de São João da Barra, no norte fluminense. Em fase de concepção e desenvolvimento, o projeto será baseado na formação de parceria tecnológica com grupos europeus e asiáticos. A estimativa inicial é de que a fábrica demande investimentos da ordem de US$ 1 bilhão, com capacidade inicial de produção de até cem mil carros por ano.
(Plurale)