terça-feira, 5 de agosto de 2014

Pesquisadores aprimoram tinta que permite captação de energia solar

Pesquisadores do departamento de Física e Astronomia e do setor de Química e Engenharia Biológica da universidade de Scheffield (Inglaterra) estão aprimorando um método de captação de energia solar por meio de semicondutores baseados no mineral perovskita; painéis solares, como mostra a imagem acima, podem ficar obsoletos.

O projeto tem gerado resultados notáveis quanto à sua eficiência – o protótipo do painel solar atinge 11% dos seus 19% totais de desempenho quando colado à prova. 

“Há muito entusiasmo em torno do perovskita com base no efeito fotovoltaico (potencial de tensão ou corrente elétrica de um material)”, diz David Lidzey, pesquisador responsável por chefiar o estudo.

A pintura de painéis baseados no composto é um processo barato quando comparado à fabricação dos semicondutores de energia atuais. No futuro, o mesmo método utilizado pelas montadoras de carros poderá cobrir latarias com tinta de perovskita. 

“Esta classe de material oferece um potencial notável que possibilita a combinação de células solares de alta eficiência com custos de produções baixos de fotovoltaicos”, comenta Lidzey.

Usar o composto baseado no mineral perovskita para captação de energia solar não é uma ideia necessariamente nova – pesquisas em torno deste processo começaram a ganhar destaque principalmente a partir de 2012. 

O desenvolvimento de tinta a dispositivos capazes de absorver radiação também é um processo conhecido por engenheiros (leia mais aqui).
Método de pintura usada por indústrias automobilísticas poderá ser adotado.
O trunfo da atual empreitada consiste no uso do novo composto (o perovskita é baseado em cálcio com óxido de titânio). Há alguns anos, o potencial de absorção, captação e criação de corrente elétrica através de uma pasta de perovskita ficava em apenas 1%.

Espera-se que as pesquisas atuais sejam capazes de criar processos de aplicação do material em escala industrial. 

“Este é um passo eficiente que permite a produção de dispositivos com células solares a baixo custo por meio de métodos de grande escala”, conclui o pesquisador. 

É provável, desta forma, que até mesmo aparelhos móveis (como smartphones, tablets ou notebooks) sejam revestidos com pintura que possibilita recarga no futuro.
FONTE(S)Universidade de Sheffield
IMAGENS Feedblitz
Fonte: www.tecmundo.com.br

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A Revolução Eólica (46) – Mais três parques eólicos no Pampa

Começa esta semana a construção de mais três parques eólicos na região do Cerro Chato, em Santana do Livramento (RS), na fronteira com o Uruguai, em pleno pampa.
O projeto, fase 2 do Complexo Eólico Livramento, que prevê quatro parques, com 34 aerogeradores numa área de 4.380 hectares, e capacidade instalada de 68 megawatts (MW) de energia.
Por enquanto, três foram contemplados no último leilão realizado pelo governo federal. São eles: Galpões (8MW), Capão do Inglês (10MW) e Coxilha Seca (30MW). Apenas Ibirapuitã II (20MW) ficou de fora.
Os contratos preveem o início de suprimento em 1º de setembro de 2015, com prazo de vinte anos. O investimento é de R$ 270 milhões.
Assim como a fase 1 do Complexo Eólico Livramento, estes também são gerenciados pela Eletrosul Centrais Elétricas, que detém 49% do investimento, em parceria com a Fundação Eletrosul de Previdência e Assistência Social – Elos, com 10%, a Renobrax, empresa de engenharia de Porto Alegre, e o Fundo de Investimento Privado (FIP) Rio Bravo , com 41% das ações. 
A estatal e as parceiras constituíram a Livramento Holding S.A para gerenciar as usinas.
Três empresas formam o consórcio construtor: a fabricante argentina de aerogeradores IMPSA; o grupo português Efacec, especializado em equipamentos eletromecânicos; e a Iccila, empreiteira local da construção civil, que está executando os trabalhos de infraestrutura da área – abertura das vias de acesso aos locais onde serão instalados o canteiro de obras e as turbinas.
No Cerro Chato, apenas Ibirapuitã II (parte superior, em rosa) ainda não foi contratado
No Cerro Chato, apenas Ibirapuitã II (parte superior, em rosa) ainda não foi contratado

LEILÃO TEVE RECORDE DE PROJETOS

O Leilão de Reserva que o governo federal promoveu em 23 de agosto do ano passado, exclusivo para fonte eólica, teve cadastrados na Empresa de Pesquisa Energética (EPE) 655 projetos em nove estados, somando capacidade instalada de 16.040 megawatts (MW).

“É recorde, o maior número de projetos já inscritos em um leilão para energia eólica no mundo”, entusiasmou-se o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim.

A Bahia foi a campeã em inscrições com 238 parques, que somam 5.854 MW. Em segundo aparece o Rio Grande do Sul, com 153 projetos para produzir 3.437 MW.

O leilão apresentou duas novidades: a primeira é que atrela a contratação de parques eólicos à garantia de conexão na rede de transmissão, que elimina o risco de os empreendimentos ficarem prontos e não terem como escoar a produção. 

A segunda, é que a energia negociável será calculada com base em um critério de pelo menos 90% de chance de a produção dos empreendimentos eólicos ser igual à quantidade vendida. 

“Haverá apenas 10% de probabilidade de o parque gerar menos energia do que o volume vendido no leilão”, explicou Tolmasquim. (Cleber Dioni Tentardini)

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Brasil: capacidade instalada em eólicas ultrapassa 3GW

País passou a somar 130 usinas em funcionamento, um complexo que gerou 734 MW médios em energia elétrica em abril
Da redação


A capacidade instalada para a geração de energia eólica no Brasil cresceu 52,2%, ou 1.138 MW, no acumulado de 2014, aponta a última edição do Boletim das Usinas Eólicas, divulgado mensalmente pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). 

Somente entre março e abril desse ano o acréscimo foi de 20,3%, ou 561 MW, o que levou a capacidade do conjunto de usinas da fonte a 3.319 MW.

O boletim mostra que em abril houve a entrada em operação de 18 novos empreendimentos eólicos, todos no Nordeste. 

Com isso, o país passou a somar 130 usinas em funcionamento, um complexo que gerou 734 MW médios em energia elétrica no mês. 

O volume é 53% superior ao registrado em abril do ano passado e corresponde a um fator de capacidade médio de 22%, o que coloca o Brasil em patamar equivalente ao de países com grande capacidade instalada para a geração dos ventos, como a China (18%) e a Alemanha (19%).

O crescimento em abril foi motivado, sobretudo, pela entrada de usinas do 2° Leilão de Energia de Reserva – LER e de usinas com entrega no Ambiente de Contratação Livre – ACL. 

Além disso, foi registrado aumento de capacidade em operação comercial de usinas existentes e entrada de novas usinas do 2°Leilão de Fontes Alternativas e do 12° Leilão de Energia Nova.

Da média total gerada no período, 137,3 MW médios (ou 19%) são provenientes de 27 usinas com atuação exclusiva no mercado livre de energia. 
O crescimento da geração nesse ambiente em relação ao montante de energia alocado em abril de 2013 (70,9 MW médios) foi de 95%, enquanto a capacidade instalada teve aumento de 87% em abril de 2014 frente a abril de 2013.

Já a geração das usinas eólicas contratadas pelo Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica - Proinfa em abril de 2014 foi de 190 MW médios, o que representa 26% do total da geração eólica do país. Na comparação com abril de 2013, houve redução de 4,4% no montante gerado por esses parques.

Por região
Em abril de 2014, com a entrada das novas usinas, o Nordeste atingiu a marca de 96 parques e 2.460 MW em capacidade, ou 74,1% da potência instalada no Brasil – um salto de 69,6% em relação a dezembro de 2013. 

A região concentra a maior participação na geração eólica do País, com 69,9% do total.

No Sul, foi registrada capacidade de 832 MW (25% do total), com crescimento de 18,4% em relação ao final do ano passado, enquanto que o submercado Sudeste apresentou uma única usina, com capacidade de 28 MW, sem acréscimo de potência ao longo do período.

O boletim da CCEE revela que os Estados com maior participação na geração média de energia eólica nos últimos 13 meses são:

Ceará (236 MW médios, ou 32% do total do país), 
Rio Grande do Norte (157 MW médios, 21%), 
Rio Grande do Sul (149 MW médios, 20%), 
Bahia (98 MW médios, 13%), 
e Santa Catarina (54 MW médios, 7%), que totalizaram 94% do total gerado pela fonte no Brasil dentro do período.


terça-feira, 17 de junho de 2014

Como é produzida a energia elétrica através dos ventos?

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É bom relembramos que a humanidade tem utilizado a energia eólica, há milhares de anos. O vento é aproveitado para moer grãos, bombear água e até mesmo serrar madeira, através da tecnologia dos moinhos.

Os primeiros moinhos foram inventados na Pérsia e a produção de eletricidade começou no início do século 20, mas foi com os choques petrolíferos da década de 1970, que impulsionou o interesse na energia eólica como uma fonte energética alternativa.

Eletricidade eólica
A energia eólica é capturada e convertida em eletricidade por dispositivos chamados “aerogeradores”, que consistem num gerador elétrico movido por hélice e que por sua vez é movida pela força do vento.

Os principais componentes dos aerogeradores são:

· Um rotor constituído por duas ou três pás, com um diâmetro de 65 metros;

· Um eixo que liga o rotor, uma caixa de velocidade e um gerador cuja tensão de saída é de aproximadamente 6 kV, que são contidos numa cabine (nacella) horizontal, atrás do rotor;

· Uma torre que se situa entre 25 e 80 metros de altura, na qual o rotor e a cabine (nacella) são montados.


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As lâminas são montadas perpendicularmente ao vento e o aerogerador é montado no alto da torre, a fim de aproveitar ventos mais fortes que sejam mais estáveis e constantes do que os ventos que podem ser encontrados mais próximos do terreno.

Cide Meira: Meu mini currículo: Tecnólogo em Manutenção Elétrica (Cefet-Ba); Licenciado em Eletricidade (UNEB) e Eletrotécnico (ETFBa) – Especializações: MBA em Gestão de Empresarial (FGV) e Design Instrucional com ênfase em Educação (SENAI-Ba) – Gestor de Unidade de Educação Profissional (26 anos) e Professor de Física do ensino médio (12 anos). Atualmente: Gestor de Unidade de Segurança do Trabalho (Novo desafio). Cide Meira é, atualmente, diretor técnico da Abracopel – regional Bahia.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Leilão A-3 contrata 968,6MW em novas usinas

Eólicas viabilizaram 551MW; UHE Santo Antonio vendeu a ampliação
Por Wagner Freire


Crédito: Comstock Images / Getty Images













O 19º Leilão de Energia Nova (A-3) contratou 968,6MW (480,7MWm GF) em novas usinas, sendo 551MW em parques eólicos e 417,6MW relativos a ampliação da hidrelétrica de Santo Antônio. 

O certame foi realizado nesta sexta-feira (06/06) em São Paulo, na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

A energia firme contratada soma 395,2MW médios. 

O preço médio do leilão foi de R$126,18/MWh, que movimentou R$10,2 bilhões. 

As pequenas centrais hidrelétricas e as térmicas não tiveram sucesso no certame. A energia comercializada no A-3 precisa ser entregue a partir de janeiro de 2017.

A hidrelétrica de Santo Antonio vendeu energia sem deságio, ao preço de R$121,00/MWh. Já as eólicas comercializaram ao preço médio de R$129,97/MWh, o que representou um deságio de 2,27% em relação ao teto de R$133,00/MWh.

Foram habilitados empreendimentos que somam uma capacidade instalada de 7.010 megawatts, sendo 6.159 MW em projetos eólicos.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

BNDES aprova empréstimo de R$ 1 bi para Renova Energia

Diretoria do banco aprovou o financiamento de longo prazo para o projeto Alto Sertão II, no valor de R$ 1,044 bilhão

Fátima Laranjeira, do 

Renova Energia
Parque eólico da Renova Energia na Bahia
Parque eólico da Renova Energia na Bahia

São Paulo - A Renova Energia teve aprovado pela diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) o financiamento de longo prazo para o Alto Sertão II no valor de R$ 1,044 bilhão.

O Alto Sertão II engloba os parques eólicos que comercializaram energia no Leilão de Energia de Reserva de 2010 e no Leilão de Energia Nova de 2011, totalizando 386,1 MW de capacidade instalada.

O financiamento será contratado pela Renova Eólica Participações, subsidiária da companhia, e tem prazo de 16 anos, com 6 meses de carência após a entrada em operação dos parques.

"Com a contratação e o desembolso desse financiamento, os empréstimos ponte tomados junto ao BNDES e as notas promissórias emitidas neste ano serão quitados", informa a empresa.



quarta-feira, 4 de junho de 2014

Hidrelétricas ainda são alternativas mais viáveis, dizem especialistas


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A hidroeletricidade ainda é a melhor opção energética, do ponto de vista ambiental e econômico, para o Brasil defenderam os convidados do segundo painel desta terça-feira no Fórum de Sustentabilidade – terceiro seminário da série promovida pela Folha.
As alternativas energéticas limpas foram abordadas por Jerson Kelman, ex-presidente da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e da ANA (Agência Nacional das Águas); Márcio Zimmerman, secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia; e Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da UFRJ.
Em média, 80% da matriz elétrica brasileira vem de fontes renováveis –número expressivamente maior do que a média restante do planeta, com cerca de 14% de fontes renováveis, segundo Márcio Zimmerman.
Nesse cenário, a energia produzida por usinas hidrelétricas é responsável por garantir o abastecimento –elas respondem por 80% do sistema, mesmo em anos secos, disse Zimmerman – e por permitir que outras fontes de geração sejam viáveis.
“O Brasil tem espaço para todas as fontes, porque precisamos de uma oferta de energia bastante grande. Temos espaço para fontes de energia solar, eólica e hidrelétrica, não há motivos para um conflito entre os sistemas”, disse o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia.
OUTRAS FONTES
Além das usinas hidrelétricas, existe no Brasil um cenário favorável à instalação de geradores de energia eólica e solar, afirmou Jerson Kelman.
Kelman aposta na viabilidade da instalação de placas fotovoltaicas em telhados para captação de energia solar e mencionou o leilão de contratação de energia solar pelo governo federal, no segundo semestre deste ano.
“É um bom início, como foi no passado o incentivo para a energia eólica. No começo, é uma energia é um pouco mais cara, mas esperamos que decole”, afirmou.
Para Kelman, tanto a energia solar como a eólica são grandes alternativas, “mas não poderíamos imaginar um Brasil só eólico”.
“Não seria possível porque é uma fonte intermitente [depende do regime dos ventos]. No Brasil, a energia eólica é competitiva porque temos hidrelétricas. Quando venta muito, fechamos as torneiras dos reservatórios. Quando venta muito, abrimos”, disse.
Kelman se definiu como “o grande defensor da hidroeletricidade” e defendeu o seu caráter renovável: “As hidrelétricas foram muito demonizadas, temos que mudar esse processo. Elas têm grande utilidade no sentido de permitir outros usos, como navegação e irrigação”.
Nivalde de Castro também defendeu essa matriz energética. “A prioridade das políticas energéticas brasileiras tem que ser as usinas hidrelétricas”, afirmou.
CARVÃO E TERMELÉTRICAS
A ativação das usinas termelétricas para fornecer energia ao sistema, durante períodos em que os níveis dos reservatórios das hidrelétricas estão baixos, foi questionada por Marcelo Leite, repórter especial da Folha e mestre de cerimônias do fórum.
Para Zimerman, mesmo nos períodos de estiagem como a que aconteceu no último verão, o uso de combustíveis fósseis (incluindo as termelétricas a carvão) representa menos de 20% da matriz energética. “No mundo, ela representa 70% [das fontes de energia]“, disse.
Segundo Jairo Kerman, as usinas térmicas a carvão ou a gás custam pouco para construir e muito para funcionar – a lógica é que sejam acionadas apenas em situações extremas. “Um fenômeno que me preocupa é que estão acionadas há muito tempo, desde 2012. Precisamos refletir tecnicamente sobre esse fenômeno que está levando a atuação das térmicas a ter uma duração longa demais. Temos que aprender com isso”, argumentou.
Fonte: Folha de S. Paulo – 03/06/2014