segunda-feira, 11 de março de 2013

Iluminação pública com energia solar e eólica



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A prefeitura de Canoas e o Grupo Baram assinaram, na semana passada,termo de cooperação para projeto piloto e pioneiro no país na área de energia limpa. 

O acordo prevê a substituição de dois postes para iluminação pública da Rodovia Federal/BR-116 – o segundo mais movimentado do Brasil, que liga Canoas a capital e a cidades do interior do Estado, por dois postes híbridos (energia eólica e solar) com quatro luminárias LED de 100 W instaladas a 18 metros de altura; aerogerador de 3000 W e nove placas solares de 90 W, em formato circular, totalizando 810 W. 

Os equipamentos serão instalados em até 40 dias e, após seis meses, serão feitos testes de avaliação da eficiência energética.

De acordo com o diretor-presidente do Grupo Baram, Josely Rosa, considerando esses parâmetros, o sistema somado irá gerar para seu próprio consumo 724 kW/mês e evitará a emissão, durante os seis meses de teste, de 4,44 ton CO? (Dióxido de carbono).

A iluminação pública atual da BR-116, trecho Canoas tem, aproximadamente, 220 postes e consumo anual de energia elétrica em torno de 1.670.000 kW/ano. 

Considerando classe de tarifação B4 – Iluminação Pública (R$/kWh), o gasto anual gira em torno de R$234.000,00.

Além de o sistema emitir na atmosfera, através de usinas de geração de energia, mais de 970 ton CO² (Dióxido de carbono). 

“Isso significa economia de energia e de recursos para o município, que poderão ser destinados para outras áreas”, destaca o prefeito Jairo Jorge, que ressalta ainda a ação inédita da cidade em todo o país. “Não existe no Brasil uma iniciativa semelhante de alternativa para iluminação pública nas rodovias, tema de extrema relevância e preocupação de todas as prefeituras do país”.

O sistema somado gerará para seu próprio consumo 428.000 kW/ano, quatro vezes menos do atual. A equipe de manutenção será acionada de duas a três vezes menos devido ao longo tempo de vida útil do quipamento, eliminando custos e aumentando a disponibilidade de equipes. “Ainda podemos preservar 6130 árvores que seriam necessárias para compensar a emissão anual de mais 970 ton CO”, lembra Josely.

Por que utilizar o sistema híbrido? Caso haja falta de energia elétrica a rodovia continuará iluminada, aumentando a segurança.

Alta flexibilidade de geração de energia devido às características climáticas da região sul que são bem favoráveis ao sistema. 

Alta confiabilidade através do sistema de backup, pois o banco de baterias supre a não geração por cinco dias, podendo ser ampliado conforme a necessidade do projeto.

Vantagens - luminárias LED: 
Tempo de vida útil maior que 50 mil horas (entre dez e quinze anos) | 
Muito econômicas comparadas com lâmpadas vapor de sódio |
Elevada eficiência luminosa e índice de reprodução de cores; Menor atração de insetos noturnos, pois não emitem raios infravermelhos e geram muito menos calor que os sistemas existentes |
Compromisso com o meio ambiente – não demanda tratamento especial em sua fabricação ou descarte. 

Não tem em sua composição substâncias tóxicas, nem filamentos; 
Efeito flash ou acendimento imediato.

A Baram Energy é uma empresa do Grupo Baram que busca a conciliação entre a sociedade, crescimento econômico e a preservação ambiental

“Na Baram Energy acreditamos que o desenvolvimento sustentável é possível e assumimos o compromisso de orientar a nossa atividade pelos princípios de desenvolvimento sustentável do Grupo Baram”, destaca Josely.

Grupo Baram: Novo parque industrial da empresa que será inaugurado na cidade de Sapucaia do Sul – Rio Grande do Sul- Com 12 anos de atuação no mercado da construção civil, o Grupo Baram é líder nacional na fabricação de equipamentos de acesso. 

Possui dois parques industriais no país: um em Fortaleza e outro na cidade de Sapucaia do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre. 

No segundo semestre de 2013, uma nova unidade fabril será inaugurada em Sapucaia que, somada, dará ao Grupo o total de 30 mil m² defábrica para atender a produção crescente de equipamentos, entre balancins elétricos e manuais, mini-gruas, máquina para acabamento de parede, tapume ecológico, gruas, elevadores de cremalheira, caçamba motorizada, dutos para entulhos e, agora, aerogeradores de energia.

A matriz da empresa está localizada no município de Esteio (RS) e o Grupo mantém filiais em seis outros estados, entre eles São Paulo.

Criada em agosto de 2000, a empresa conta com 190 funcionários em todo o Brasil. Além do Brasil, a Baram exporta para países da
América Latina, como Paraguai, Venezuela, Chile e Uruguai.


quinta-feira, 7 de março de 2013

Busca por segurança energética não preocupa eólicos nos próximos leilões

Abeeólica aposta na competitividade da energia dos ventos
Por Wagner Freire

Crédito: Divulgação
O país enfrenta atualmente a situação do baixo nível dos reservatórios, o que vem sinalizando para o governo uma necessidade de contratar mais energia de reserva. 

Esse panorama deve refletir na estratégia do governo de realização de leilões. Desde 2005, a contratação era feita por preço e licitava-se o que era competitivo. 



Esta sistemática deverá ser revisada, no sentido de garantir uma segurança maior do suprimento.

Essa é a leitura que a presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Melo, faz para os próximos leilões de geração 

- o primeiro está previsto para ocorrer em maio. No entanto, uma pressão conjuntural para a necessidade de contratar mais térmicas para garantir uma segurança energética não preocupa fontes mais sazonais, como é o caso da geração a partir dos ventos.

"Nessa perspectiva, não achamos que o setor eólico vai perder; na realidade todos nós vamos ganhar. O setor eólico faz uma analise do que é bom para o setor elétrico como o todo. 

E o que é bom para o setor elétrico é que ele seja seguro e estável, seja do ponto de vista de suprimento, seja da regulação. 

Isso é bom para o setor elétrico; e o que é bom para o setor, é bom para a eólica. Principalmente porque a fonte é a segunda mais competitiva do País. 

A fonte eólica hoje só perde para grandes empreendimentos hidrelétricos. Então, qualquer mudança que seja feita [na contratação dos leilões], nós estamos sempre competitivos”, disse a executiva.

Elbia voltou a afirmar que o que aconteceu em 2012 deve ser esquecido . Falou que os preços praticados no leilão de dezembro não refletem a realidade do setor, portanto, não serve de parâmetro para tomadas de decisões.

"O cenário para 2013 é completamente diferente. Os mesmo três fatores que explicam 2012, que não foi muito bom do ponto de vista de investimento, mudam em 2013. 

Sabe-se que o PIB [Produto Interno bruto] será bem melhor; os excessos de contratos das distribuídas não existem mais. Sem contar que essa redistribuição relativa à Medida Provisória 579 deixou uma falta de energia no portfólio das distribuidoras. Isso já sinaliza para necessidade de realização de leilão", analisou.

"Governo sinaliza para pelo menos quatro leilões, sendo um leilão de energia de reserva. Este é um leilão muito bom para a fonte eólica. Estamos nos preparando para esses leilões. 

Temos um portfólio grande de projetos e estamos aptos a contribuir", completou, ao discursar em evento recente, realizado em São Paulo.

Energia eólica: mercado promissor para engenheiros

Em 2013, o mercado de energia eólica deve abrir vagas para gerentes, coordenadores e analistas. 


O crescimento é esperado devido à entrada em operação de novos parques este ano no Brasil. Juntos, eles devem produzir 3 gigawatts de energia – quantidade suficiente para abastecer São Paulo e Rio de Janeiro.

Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica, cada gigawatt instalado abre em média 1500 empregos no ramo.

”O segmento ainda está em formação e carece de processos mais sofisticados , por isso precisará de profissionais para gerenciar projetos”, afirma Marcelo Braga, sócio da empresa de recrutamento Search RH, que fechou, no ano passado, mais de 20 posições de média e alta gestão para empresas da área. Muitos profissionais vieram de mercados como óleo e gás, automotivo e máquinas.

O minuano é presença marcante na trilogia “O tempo e o vento”, na qual o escritor gaúcho Érico Veríssimo conta a formação do Rio Grande do Sul. Agora, ganha lugar de destaque no processo de desenvolvimento do Estado. 

A energia eólica é um dos 22 setores considerados estratégicos para alavancar o crescimento da economia gaúcha.

O Estado tem 12 parques eólicos em operação, com potência de 390 MW, nos municípios de Osório, Tramandaí e Palmares do Sul, no litoral norte, e Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai. 

Outros 17 parques, com capacidade de gerar cerca de 1 mil MW, em diferentes fases de implantação, devem entrar em funcionamento até 2016. 

Com isso, os cataventos, como os gaúchos chamam os aerogeradores, também passarão a fazer parte da paisagem de municípios como Chuí, Rio Grande, Santa Vitória do Palmar e Viamão. Os novos empreendimentos representarão investimento de R$ 4,8 bilhões, segundo o governo.

Cerca de R$ 2,2 bilhões estão chegando ao Rio Grande do Sul pelas mãos da Eletrosul. Projetos prontos, em andamento ou prestes a serem iniciados vão responder por 570 MW, quase 30% da capacidade atual do país. 

É energia suficiente para abastecer uma cidade com cerca de 3,5 milhões de habitantes. “Esses empreendimentos são importantes para a Eletrosul porque consolidam a empresa como a maior estatal do setor no segmento eólico, e estratégicos para a segurança energética do país pois são complementares à matriz”, afirma o presidente Eurides Mescolotto.

A empresa entregou, em 2011, o Complexo Eólico de Cerro Chato, com 90 MW de capacidade, em Sant’Ana do Livramento. No entorno, o Complexo Eólico Livramento, com 78 MW, as bases dos 39 aerogeradores foram concluídas. 

A próxima fase será a montagem das torres e dos equipamentos. Livramento deve entrar em operação até março de 2014. No extremo Sul, o Complexo Eólico Chuí, com 144 MW, aguarda a licença ambiental para iniciar as obras.

O Complexo Eólico Geribatu, com dez parques e 129 aerogeradores, está em fase inicial de implantação em Santa Vitória do Palmar, no litoral Sul. Com 258 MW de capacidade instalada – suficiente para atender ao consumo de aproximadamente 1,6 milhão de pessoas -, Geribatu é maior projeto eólico da Eletrosul.

O complexo eólico Corredor do Senandes, no município de Rio Grande, é a primeira incursão da Odebrecht Energia no segmento de energia eólica. Dos 16 parques projetados pela companhia para os próximos anos, que devem gerar 365 MW, seis estarão no Rio Grande do Sul e o restante, no Ceará. 

A primeira fase do empreendimento gaúcho vai exigir investimento de R$ 400 milhões e prevê a implantação de quatro parques, com capacidade de 108 MW.

“Escolhemos o RS porque o Estado tem um regime de ventos bem interessante, permitindo a geração contínua de energia eólica”, explica o diretor de geração da Odebrecht Energia, Fernando Chein. O projeto inicial previa a instalação de 70 aerogeradores. 

O uso de equipamentos mais modernos vai permitir que esse número seja reduzido para 40. A montagem das torres eólicas deve ser iniciada em abril e a previsão é de o complexo entrar em operação no fim do ano.

A geração de energia elétrica atrai investimentos em outros segmentos da cadeia produtiva. A Alstom Brasil já assinou contrato com a Odebrecht para fornecer as 40 torres eólicas do Corredor de Senandes. 

Para isso, a empresa francesa está instalando uma nova planta industrial, com 11 mil m² de área construída, ao lado da fábrica de transformadores de potência em Canoas.

A previsão é de o empreendimento, um investimento de R$ 30 milhões, começar a produzir até o fim do primeiro semestre deste ano. Com capacidade para fabricar 120 torres/ano, a unidade industrial vai empregar 90 pessoas e oferecer 250 empregos indiretos. 

“A decisão de instalar a fábrica levou em conta o enorme potencial eólico do Rio Grande do Sul, a crescente expansão dessa energia no Estado e sua posição estratégica, que nos permitirá exportar as torres para países da América Latina, como Uruguai e Chile”, diz o presidente da Alstom Brasil, Marcos Costa.

Os parques eólicos também movimentam a construção civil. As obras do Corredor do Senandes, da Odebrecht, executadas pela Seta Engenharia, geraram cerca de 1.000 empregos, entre diretos e indiretos. 

A maior parte das vagas foi preenchida por trabalhadores locais. Essa fase vai exigir investimentos de R$ 60 milhões.


Fonte: Sindicato dos Engenheiros no Estado de Goiás

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Por um maior uso da energia renovável


carlos nobre









O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Carlos Nobre, participou, nesta segunda-feira (25), da 7ª Conferência da Rede Global de Academias de Ciência (IAP, sigla em inglês para Inter Academy Panel). 

Durante o debate, que teve como foco mudança climática, ele defendeu uma maior utilização das energias renováveis.


“Nós não estamos conseguindo reduzir as emissões dos gases de efeito estufa. Isso porque a maior parte das emissões é decorrente da queima de combustíveis fósseis, utilizados para a produção de energia”, disse Nobre no evento, no Rio de Janeiro. 



“Então, precisamos aumentar o uso de fontes renováveis no mundo. Se conseguirmos isso, em 2050 teremos 80% das necessidades de energia sustentável sendo supridas. Atualmente, esse cenário é de apenas 13%.”


Como o representante do MCTI lembrou durante o encontro, essa iniciativa já se fazia presente na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, que tinha como um de seus objetivos principais impedir que as interferências humanas causassem algum dano ao sistema climático. 

A chamada Convenção do Clima foi elaborada durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (RIO-92).

“Vinte anos depois, as emissões globais não reduziram e a velocidade com que as energias renováveis são incorporadas é muito pequena”, observou. “Nesse ritmo, teremos ainda mais grandes impactos. 

Então, nosso maior desafio hoje é enxergar, em curto prazo, uma forma de montar um cenário em que a maioria das necessidades sejam atendidas por fontes renováveis. Só assim controlaremos o aumento da temperatura.”

A única boa notícia, segundo Carlos Nobre, é em relação às emissões provenientes dos desmatamentos tropicais. “Essas emissões reduziram muito, principalmente no Brasil, e já deixaram de ser um termo significativo nas emissões globais.”

Com o tema “Ciência para a erradicação da pobreza e o desenvolvimento sustentável”, o evento no Rio reúne presidentes das academias de Ciências de todos os continentes, bem como outros atores relevantes no âmbito científico internacional. 

A programação inclui debates sobre mudanças climáticas, energia sustentável, acesso à agua limpa e saneamento básico, saúde e segurança alimentar e o ensino de ciência. Ontem, na abertura, o ministro Marco Antonio Raupp propôs a criação da Comissão Mundial de Cientistas para o Combate à Pobreza.

IPCC e negociações na ONU – Na parte da manhã, o secretário Carlos Nobre participou de um debate com cerca de 20 jornalistas sobre mudanças climáticas e desastres ambientais. 

Durante o encontro, ele respondeu a perguntas sobre as negociações na Organização das Nações Unidas (ONU) a respeito do tema clima e sobre os resultados do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

“A convenção da ONU sobre o clima não está avançando muito”, avaliou. “Aliás, se nós olharmos também os outros debates que objetivam assegurar uma qualidade ambiental, eles também não estão progredindo. 

Porém, na minha opinião, o clima é ainda mais preocupante, pois, ao contrário, por exemplo, da poluição, é mais complicado de reverter. Precisamos buscar soluções para reduzir a emissão de gases e controlar o aumento das temperaturas”, frisou.

No sentido de buscar soluções, a criação do IPCC, segundo o titular de Pesquisa e Desenvolvimento, foi um fator fundamental para orientar os países sobre a velocidade com que as ações precisam ser tomadas e comunicar a preocupação de cientistas climáticos sobre a atual realidade.

A conversa teve também a participação do diretor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ), Luiz Pinguelli Rosa, e foi mediada pela jornalista Ana Lúcia Azevedo, do jornal O Globo.

Fonte: MCTI – Texto: Luiza Seixas

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Strike do governo no setor de energia brasileiro

O governo federal promoveu nos últimos dez anos um verdadeiro strike no setor de energia no Brasil. Para aqueles que não costumam jogar boliche o strike e aquela jogada na qual com um único arremesso você derruba todas as peças. 



E o governo com uma única política baseada no populismo dos preços e na utilização política do setor conseguiu derrubar a segurança jurídica e a estabilidade regulatória do setor e consequentemente deixar o país vivendo o cenário do desabastecimento. 

O primeiro a ser derrubado e hoje o mais visível para todos foi o do petróleo, tendo como a principal vítima a Petrobras. 

A derrubada teve inicio quando foi anunciada a descoberta do pré-sal, fato que levou ao fechamento do mercado de petróleo no país. 

De lá para cá não ocorreram mais leilões, o governo aprovou um novo marco regulatório intervencionista, os investimentos privados tomaram a direção de outros países, deixaram de ser gerados aqui uma enorme quantidade de empregos e a produção de petróleo estagnou, e a velocidade do pré-sal tem sido a de um carro mil. 

Nos combustíveis a derrubada também foi geral. O governo congelou os preços da gasolina e do diesel, estimulou o consumo e com isso o Brasil passou a importar cada vez mais todos os derivados de petróleo. 

O pior é que com esse aumento do consumo e das importações os prejuízos da Petrobras têm crescido de forma espetacular, da mesma forma que a dívida da empresa. 

Nunca na história deste país a Petrobras esteve numa situação tão ruim. Não satisfeito em derrubar a peça Petrobras, o governo também fez o mesmo com o etanol e o biodiesel. 

Com os preços congelados da gasolina, o etanol perdeu competitividade, a produção cresceu pouco e o país passou a importar o produto dos Estados Unidos. E, o que é pior, passamos a exportar etanol de cana, ambientalmente melhor, e a importar o de milho. 

Ou seja, passamos a limpar o ar que os americanos respiram. No caso do biodiesel, o setor está sem marco regulatório, sem previsibilidade de aumento da mistura no diesel e com isso as empresas, a cada dia que passa, encontram mais dificuldades para sobreviver. 

No setor elétrico, o governo também promoveu a derrubada total. 

Ao só se preocupar com a modicidade tarifaria e ao abandonar a segurança de abastecimento, bem como a preocupação com o uso eficiente da energia, o governo quebrou o caixa da Eletrobras, gerou insegurança jurídica e regulatória e incentivou o consumo de energia elétrica num contexto de escassez. 

Não entendeu que o aumento da oferta de forma estruturada só ocorre num contexto de concorrência e que não e através de decretos presidenciais que se abaixa os preços. 

Na realidade, o governo sempre confunde ou quer nos confundir entre o conceito de preços baratos e preços competitivos. 

A energia, tanto no Brasil como no mundo, tende a ser cada vez mais cara, portanto, o que precisamos e estabelecer uma política tributária que ajude a energia a ser competitiva. 

Ao vender a ideia de energia barata o governo engana o consumidor e penaliza o contribuinte e o pior, no médio prazo promove o desabastecimento. 

Adriano Pires - Diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE) Brasil

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O mercado da energia eólica no mundo

Enquanto China e Estados Unidos competem pela liderança global, na América Latina, o Brasil lidera com 2,5 Gigawatts (GW) de capacidade total instalada



Apuração: Vanessa Barbosa
Design: Juliana Pimenta
Fonte: GWEC, Aneel e ABEEólica

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A crise de energia e as soluções

As causas da crise de eletricidade que enfrentamos têm sido ampla­mente discutidas na imprensa e pa­recem ser bem compreendidas: a expansão do sistema de hidre­létricas - a principal fonte de energia elétrica no Brasil - tem sido feita nas últimas décadas em usinas a fio d"água. 

Isto é, sem reservatórios de água que mantenham as usinas em fun­cionamento mesmo quando não chove durante longos perío­dos de tempo. 


Isso não é culpa do atual go­verno federal, mas da incapaci­dade geral dos governos, desde 1990, de se engajarem num diá­logo maturo com os ambienta­listas e os movimentos sociais contrários à construção de bar­ragens para aformação de reser­vatórios. A oposição ao governo Fernando Henrique Cardoso es­timulou esses movimentos e pa­ga agora o preço elevado que de­les resultou. 

Várias organizações ambien­talistas, como a WWF-Brasil, tentaram iniciar esse diálogo, mas suas propostas foram rece­bidas com indiferença pelo go­verno, apesar de serem eminen­temente razoáveis: escolher na Amazônia as bacias hidrográfi­cas nas quais barragens e hidre­létricas poderiam ser construí­das e preservar outras bacias em seu estado natural. 

Atualmente os reservatórios das hidrelétricas estão pratica­mente no mesmo nível de 2001 e certamente teríamos um racio­namento se não tivessem sido instaladas usinas termoelétricas, que usam gás, óleo combus­tível e até carvão. Sua constru­ção foi iniciada no fim do gover­no Fernando Henrique e o go­verno Lula/Dilma Rousseff deu-lhes andamento. Mas energia ge­rada por elas é muito mais cara do que a das hidrelétricas. 

Mesmo assim, o risco de ra­cionamento não foi afastado, porque todas as termoelétricas disponíveis já foram acionadas e se a seca continuar faltará energia. A razão para tal é sim­ples: as alternativas de geração de eletricidade disponíveis - que são as usinas eólicas (movi­das pela força do vento) e as termoelétricas queimando bagaço - não foram estimuladas pelo governo, no fundo, por motivos ideológicos. 

A partir de 2002 o governo de­cidiu expandir o parque gera­dor de eletricidade por meio de leilões que a Empresa de Plane­jamento Energético (EPE) reali­za regularmente. Recebem as concessões as empresas que apresentam preços mais baixos para a energia produzida, seja ela hidrelétrica, térmica, eólica ou solar. 

A justificativa para es­se procedimento é a de garantir a "modicidade tarifária", quer dizer, o preço mais baixo da energia produzida, que, em te­se, favoreceria as camadas mais pobres da população. 

Essa é uma visão equivocada: por motivos técnicos, diferen­tes formas de gerar eletricidade têm custos diferentes de produ­ção e, também, fortes compo­nentes regionais. Se a energia eólica for gerada no Estado do Piauí e consumida no Rio de Ja­neiro, é preciso construir as Usinas de transmissão adequa­das. 

Além disso, gerar eletricidade para ricos e para pobres cus­ta o mesmo. 


Se o governo federal deseja fazer programas sociais com ele­tricidade para beneficiar os po­bres, deve fazê-lo na venda, e não na sua geração. 

Foi isso que o governo Franco Montoro fez em São Paulo, em 1982, esten­dendo as redes de eletricidade às favelas e cobrando preços re­duzidos dos habitantes dessas áreas, por meio de subsídios cru­zados, em que os mais ricos pa­gavam tarifas maiores do que os mais pobres. 

Ao nivelar nos leilões da EPE todas as formas de energia, o go­verno federal tornou inviável, na prática, o uso de bagaço de cana para gerar eletricidade em grande escala no Estado de São Paulo. Essa energia pode até ser um pouco mais cara do que a das hidrelétricas, porém está perto dos centros de consumo, o que reduz significativamente os custos de transmissão. 

Apesar dos esforços do gover­no paulista, menos de 20% do potencial do bagaço de cana-de-açúcar - que é comparável à potência da Usina de Itaipu - está sendo utilizado, por causa da falta de interesse do governo federal. O que torna a situação ainda mais paradoxal é que a ideolo­gia da "modicidade tarifária"" le­vou o governo a usar térmicas a gás, cujo custo da eletricidade é cerca de três vezes superior à média nacional

Os problemas que enfrenta­mos na área de energia elétrica não serão resolvidos com medi­das intempestivas como a Medi­da Provisória (MP) 579 e a redu­ção forçada de cerca de 20% nas tarifas, que está tornando o Sis­tema Eletrobrás e outras empre­sas geradoras inviáveis. 

Como foi feita, essa medida tem clara­mente um conteúdo demagógi­co e o Tesouro Nacional - ou seja, toda a população brasileira - vai pagar por ela. Vamos ter agora, além da Bolsa-Família, uma "bolsa-eletricidade", que, aliás, vai beneficiar grandes in­dústrias eletrointensivas. 

As consequências negativas da MP 579 já são evidentes na queda do valor das empresas, que terão, daqui para a frente, mais dificuldades para fazer investimentos, o que, como con­sequência, vai dar origem a mais "interrupções de forneci­mento", na linguagem oficial. 

Soluções para a crise atual existem. 
No curto prazo é preciso re­mover os obstáculos para que a eletricidade do bagaço de cana-de-açúcar possa competir nos leilões da EPE e tomar providên­cias para completar a ligação de centrais eólicas ao sistema de transmissão. 

No longo prazo, é preciso reanalisar o planejamento de no­vas hidrelétricas - incluindo re­servatórios adequados de água - e acelerar medidas de racionalização do uso de eletricidade, que até agora são voluntárias. 

Não basta, por exemplo, etique­tar geladeiras alertando os com­pradores sobre quais são os mo­delos mais eficientes, é necessá­rio proibir a comercialização das geladeiras com alto consu­mo de energia, como fazem mui­tos países. 

Um pouco mais de competên­cia na área energética é do que o País precisa agora. 

José Goldemberg - PROFESSOR EMÉRITO DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, FOI MEMBRO DO CONSELHO SUPERIOR DE POLÍTICA ENERGÉTICA (CSPE) DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA (O Estado de S. Paulo)