sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Grandes negócios com microgeração à vista




O Brasil está bem em qualquer ranking quando o assunto é o potencial para exploração de energia limpa. A diversidade energética, como energia eólica, pequenas usinas, biomassa e, nos próximos ano, energia solar, abre um bom caminho para a microgeração de energia.

Agentes do mercado de energia acreditam no avanço mais forte deste segmento com a aprovação da legislação que estabeleceu regras para desburocratizar a instalação de geração distribuída de pequeno porte, que incluem a microgeração, com até 100 KW de potência, e a minigeração, de 100 KW a 1 MW.

Aprovada há quatro meses, a resolução nº 482 cria um sistema de compensação de energia que permite ao consumidor instalar pequenos geradores em sua unidade consumidora e trocar energia com a distribuidora local.

A norma é válida para geradores que utilizem fontes incentivadas de energia — hídrica, solar, biomassa, eólica e cogeração. A resolução estabelece as condições gerais para o acesso dos sistemas de microgerçaão e minigeração distribuída aos sistemas de distribuição de energia elétrica.

Na perspectivas de especialistas, esta legislação vai impulsionar o avanço da energia solar no país. Segundo estimativas de mercado, o Brasil possui, atualmente, cerca de 20 MW de capacidade de geração solar fotovoltaica, com a maior parte sendo utilizada para atender sistemas isolados e remotos.

“Hoje o entendimento é que a geração distribuída está mais próxima da viabilidade comparativamente à centralizada, já sendo inclusive viável em alguns casos. 

No entanto, não é objetivo da análise comparar a competitividade deste tipo de energia, ainda incipiente no país, com outras fontes que já possuem uma maturidade significativa, mas sim, caso se opte pela promoção desta tecnologia, discutir a melhor forma de incentivos capazes de facilitar sua inserção”, diz o documento Análise da inseração da geração solar na matriz energética brasileira, publicado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Veja a íntegra do documento

Projeta-se que os sistemas de geração distribuída acrescentarão 30 mil MW de capacidade instalada à matriz energética até 2020. 

Segundo a Cogen (associação que reúne as empresas do segmento), cerca de 10 mil MW desse total serão provenientes da biomassa e 7,5 mil MW de energia solar.

Mercosul quer criar clusters eólicos regionais


Ideia é aproveitar expertise de cada país para aumentar a competitividade da região
Por Luciano Costa

Crédito: Divulgação



Na quinta e sexta-feira (16 e 17/8), autoridades de Brasil, Uruguai e Argentina se reúnem com agentes do setor de energia eólica em Porto de Galinhas, Pernambuco, para alinhar uma política regional para a geração a partir do vento. 

Uma das ideias que está na mesa é incentivar a criação de uma "integração produtiva" para fortalecer a indústria local de equipamentos para a fonte.

"De um lado você tem um processo em curso de integração elétrica, de redes, com nossos vizinhos. A questão é como fazer disso também uma oportunidade para a integração produtiva. 

Aproveitar para ter escala e aproveitar as expertises. Você tem empresas que atuam em vários países e com grande especialização em áreas como metalúrgica, elétrica, componentes", explica o diretor do departamento de competitividade do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alexandre Comim. 

Segundo o representante do MDIC nas reuniões, " a ideia é que cada país contribua com aquilo que ele tem de melhor" dentro da cadeia produtiva eólica. Comim também comentou o grande avanço da energia do vento na região nos últimos tempos. 

"A Argentina é um país com um potencial eólico fabuloso, bem maior que o nosso. E o Uruguai tem um potencial razoável e está muito interessado em desenvolvê-lo".

A ideia agrada a Impsa Wind, empresa argentina que produz equipamentos em seu próprio país e em Pernambuco - e que já tem contratos de venda para Uruguai e Venezuela. 

"Políticas de interação produtiva a nível de Mercosul vão com certeza dotar a indústria eólica de um mercado muito mais interessante e permitir desenvolver uma competitividade que até agora não temos. 

A visão que a gente tem é que isso é muito importante", comenta o diretor geral da companhia, Emílio Guiñazú.

"Tem uma indústria muito desenvolvida no Uruguai e na Argentina que pode agregar componentes de alta competitividade às máquinas brasileiras e que hoje não está sendo usada", exemplificou o executivo. 

Para ele, uma integração permitiria que cada país produzisse os componentes em que é especializado, criando escala e reduzindo os custos.

Para Guiñazú, "essa política levaria a indústria a desenvolver ao máximo o potencial" por meio da criação de "clusters regionais baseados nas vantagens competitivdas de acada região".

País deve definir metas e cotas para fontes renováveis alternativas, propõe estudo

Fernando César Oliveira, da Agência Brasil


A definição de metas, pelo governo federal, para ampliar a participação das fontes renováveis alternativas em seus próximos leilões de energia, a adoção de cotas para cada uma dessas fontes e a revisão de sua política de subsídios para o setor energético são algumas das recomendações do estudoAlém de Grandes Hidrelétricas, apresentado na quarta-feira (15) durante o 8º Congresso Brasileiro de Planejamento Energético, em Curitiba.

Encomendado pela organização não governamental (ONG) WWF Brasil, o trabalho envolve pesquisadores da Universidade de Campinas (Unicamp), da Universidade Federal do ABC (UFABC) e da ONG International Energy Initiative para a América Latina, entre outras instituições. 

O trabalho propõe ainda um aumento de 40% da participação das fontes eólica, de biomassa e das pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) nos próximos leilões de energia nova, com um crescimento mínimo de 10% para cada tipo de fonte.

O documento também defende que a política de crédito e incentivos fiscais seja revista, de forma que os subsídios dados hoje às termelétricas sejam gradualmente transferidos para fontes renováveis. 

“A geração de energia por termelétricas é cara, poluidora e depende de contratos take-or-pay [preço fixo para a energia, pago mesmo que ela não seja usada] para sobreviver”, diz.

A realização de leilões regionalizados e o incentivo à pesquisa e à inovação em áreas como a de energia solar, o que tende a diminuir o custo dessas novas tecnologias, também são sugeridas pelo estudo.

“Sem metas de inserção na matriz energética, o investidor interessado em fontes renováveis alternativas não tem segurança”, disse o pesquisador Paulo Henrique de Mello Sant’Ana, da UFABC, coordenador do trabalho. 

De acordo com Sant’Ana, o subsídio concedido às termelétricas movidas a carvão chegou a R$ 127,54 por megawatt-hora (MWh) em 2009. “Com um subsídios desses, poderíamos construir aerogeradores.”

Dos 2,4 mil empreendimentos de geração de energia elétrica em operação no país, 777 (32,4%) usam fontes renováveis alternativas. São 398 pequenas centrais hidrelétricas, 51 centrais eólicas e 328 centrais de biomassa que utilizam bagaço de cana-de-açúcar, conforme dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Juntas, essas unidades seriam capazes de produzir cerca de 12,3 milhões de quilowatts de potência, o equivalente a 9% da produção nacional.

O estudo encomendado pelo WWF Brasil aponta que as fontes renováveis poderiam substituir as termelétricas na função complementar às usinas hidrelétricas, responsáveis por mais de três quartos da eletricidade gerada no país. “Fontes renováveis alternativas podem exercer o mesmo papel [das termelétricas], com custos mais baixos e com menores impactos sobre o meio ambiente”, diz o documento. 

“O período da seca, quando as hidrelétricas produzem menos, coincide justamente com a safra de cana-de-açúcar e com o período de maior incidência de ventos.”

O trabalho ressalta ainda que o Brasil assumiu em 2009 o compromisso voluntário de diminuir suas emissões de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9%, até 2020. 

E cobra do setor elétrico, que contribui com 9,2% das emissões brasileiras, o incentivo a tecnologias de baixa emissão. “Apesar do sucesso dos últimos leilões de fontes alternativas em 2010 e 2011, não há na prática um compromisso do MME [Ministério de Minas e Energia] e da EPE [Empresa de Pesquisa Energética] com a continuidade desses leilões”, aponta o estudo.

“O Brasil tem até metas para inflação, porque não ter metas para a produção de energia elétrica a partir de fontes alternativas?”, pergunta Carlos Rittl, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF Brasil. 

“Vamos apresentar o documento ao governo. O país precisa aproveitar melhor o seu potencial de fontes renováveis alternativas nas próximas décadas”, disse.

A Agência Brasil procurou a Empresa de Pesquisa Energética. A assessoria de imprensa do órgão informou que o seu presidente, Maurício Tolmasquim, estava retornando de uma viagem e não poderia conceder entrevista. A assessoria do Ministério de Minas e Energia também foi acionada, mas a pessoa que poderia falar sobre o assunto estava em reunião.

(Agência Brasil)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

PCHs, um bom negócio para investidores, construtores e consumidores


Posted by Mirian Gasparin 




O Brasil conta hoje com cerca de 350 PCHs, capazes de produzir 2,8 mil MW, que representam 2,6% da energia que o país é capaz de gerar. Segundo estimativa de especialistas, esse número pode chegar a 8% nas próximas décadas. 

Superada a crise de 2008/09, os investimentos em Pequenas e Médias Centrais Hidrelétricas (PCHs) voltam a crescer e a atrair os investidores. Existem hoje cerca de 70 projetos de PCHs em construção. 

Do ponto de vista dos investidores, as PCHs representam um negócio promissor.

O valor do megawatt/hora fornecido por uma PCH gira em torno de R$ 150,00 – muito superior aos cerca de R$ 80 ou R$ 90 recebidos por uma grande hidrelétrica ao fornecer a mesma quantidade de energia. Para o consumidor, no enta nto, o preço da energia não é alterado. 

“Por se tratar de uma geração distribuída, a PCH gera controle de tensão, redução de perdas e aumento da confiabilidade do suprimento”, explica Evandro Vasconcelos, diretor de energia da Light.

De acordo com investidores, um dos principais atrativos desse tipo de empreendimento é o baixo impacto ambiental. 

Outro ponto positivo apontado é que “na maioria das vezes acaba-se levando progresso para a região onde a usina é construída”, conta Joaquim Monteiro Martins Franco Filho , diretor técnico da JMalucelli Energia. 

“Num balanço de tudo, acaba-se deixando muito mais benefícios do que prejuízos para a região”.

Geração de oportunidades para indústrias de menor porte é outra característica relevante de uma PCH. A PCH abre portas para que investidores de médio porte participem de um setor de infraestrutura com forte crescimento. 

“A PCH democratiza a construção para uma faixa muito maior de profissionais e empresas, o que influencia positivamente na geração de empregos”, afirma Joaquim Franco.

Já na parte financeira, os atrativos são outros. Para Evandro Vasconcelos, os incentivos fiscais são pontos fundamentais para fazer das pequenas e médias centrais hidrelétricas um investimento viável. 

As PCHs são fontes de energia incentivadas, o que possibilita a redução de 50% na Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD), tanto para o consumidor que compra sua energia, quanto para o empreendedor. Além disso, a PCH está isenta de pagamento pelo uso da água (Compensação Financeira pelo Uso do Recurso Hídrico). 

Essas duas isenções são bastante significativas do ponto de vista econômico-financeiro, informa Vasconcelos.

Investidores concordam que a Taxa de Rendimento Interno (TIR) é também um ponto forte do empreendimento. 

Apesar de o retorno do investimento em uma PCH depender de uma série de fatores, como a geologia, a topografia, as quedas d’água existentes no local e a forma de financiamento, o que se tem percebido no mercado é que a TIR desses empreendimentos está acima de 10% ao ano.

Para discutir as Pequenas Centrais Hidrelétricas, o setor de hidrogeração se reuniu em São Paulo





Estudo define licenciamento de PCHs no Rio Grande


O processo de licenciamento de quatro pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) na bacia do Rio Grande, na Região Centro-Norte fluminense, será retomado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). 

A Avaliação Ambiental Integrada da Bacia do Rio Grande, prevista em Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em 2010 com o Ministério Público, definiu as condições básicas para a concessão das licenças, que ficaram paralisadas por dois anos.

“Ficou definido que haverá monitoramento contínuo e conjunto de toda a bacia pelas quatro PCHs do Rio Grande. Isso já era previsto em lei. Com o estudo, passa a ter critérios claros”, afirma a presidente do Inea, Marilene Ramos.

A bacia do Rio Grande, nos arredores de Nova Friburgo e Santa Maria Madalena, conta atualmente com quatro PCHs em operação: Santa Rosa, da empresa Engevix; Santo Antonio, São Sebastião e Caju, da Energisa. 

Outras cinco estavam previstas, mas duas não terão licenças concedidas: as PCHs São Xavier, que seria situada numa área afetadas pelas chuvas de janeiro de 2011, e a PCH Boa Vista, por causa da ameaça à fauna.

Outra pequena central, a Pimentel, cujo processo de licenciamento ainda não havia sido requerido, também foi descartada. A Avaliação Ambiental, no entanto, não impede novas propostas, que serão avaliadas caso a caso. 

O estudo prevê o monitoramento climatológico, hidrossedimentológico e de qualidade da água dos reservatórios, com emissão de relatórios periódicos e manutenção de banco de dados com os resultados. A avaliação foi apresentada em audiência pública no dia 2 de agosto, em Cordeiro.

De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) são usinas com capacidade superior a 1 MW e inferior a 30 MW. 

Elas não podem ter reservatórios superiores a três quilômetros quadrados e, em geral, operam a fio d´água, dependendo apenas da vazão dos rios. Embora tenham custo de energia superior ao das grandes usinas hidrelétricas, as PCHs geram menor impacto ambiental e proporcionam geração de energia descentralizada.

O sol que vale a pena

Brasil - A combinação de tarifas elétricas caras, queda nos preços dos painéis fotovoltaicos e redução dos juros faz com que o investimento em geração solar para consumidores residenciais seja viável em algumas áreas do território nacional



Brasil - Gerar a própria energia elétrica com painéis solares vale a pena para clientes de metade das distribuidoras de energia brasileiras, em 19 estados do país.

A combinação de tarifas elétricas caras, queda nos preços dos painéis fotovoltaicos e redução dos juros faz com que o investimento seja viável para consumidores residenciais em algumas áreas do território nacional, aponta estudo da consultoria PSR.

Os levantamentos feitos até o momento sobre a competitividade da energia solar se limitavam a relacionar a tarifa das concessionárias e o preço dos equipamentos, considerando que fossem importados e instalados pelo próprio consumidor.

O estudo da PSR é o primeiro que calcula o preço final para o consumidor, já levando em conta a irradiação solar, todos os equipamentos necessários para ligar os painéis à rede de distribuição e o gasto com a empresa integradora, que prestará os serviços.

Apesar das condições favoráveis, a geração distribuída deve começar a se desenvolver apenas em 2013, pois a Aneel deu prazo até dezembro para as distribuidoras adaptarem suas redes e sistemas.

A expectativa, porém, é que a situação melhore até lá.

Não só porque os painéis devem ficar mais baratos, mas também porque o governo federal está planejando medidas de incentivo ao setor.

Clique no link abaixo e leia a reportagem na íntegra

Brasil Energia - Julho 2012 - O sol que vale a pena.pdf

Fonte: www.procelinfo.com.br

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Pernambuco conversa com cinco empresas solares

Estado, que lançou campanha para atrair indústria eólica, também está de olho no potencial do Sol
Por Luciano Costa, de Recife (PE)*

Crédito: GettyImages













O governo de Pernambuco, que acaba de divulgar uma ofensiva para atrair fabricantes de equipamentos eólicos que queiram se instalar no Estado, também pretende conquistar a preferência dos empreendedores do setor solar. Até o momento, cinco companhias que atuam na área demonstraram interesse e têm conversado com autoridades locais.

O secretário executivo de Desenvolvimento de Negócios da secretaria de desenvolvimento econômico, Roberto de Abreu, conta que esses players são todo estrangeiros. 

“Eles estão esperando para ver se vai ter um leilão (para a contratação de usinas da fonte), se vai ter algo como o Proinfa (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia)”, revela, em referência à iniciativa do governo federal que viabilizou as primeiras usinas a vento do País.

Abreu acredita que a confirmação dos investimentos virá assim que houver alguma sinalização sobre o eventual certame - e destaca que o governo pernambucano tem tomado suas próprias ações para motivar os empresários. Entre elas, estão planos de instalação de placas fotovoltaicas em prédios públicos e na Arena Pernambuco, que receberá jogos da Copa do Mundo de futebol em 2014.

“São iniciativas no sentido de tornar o negócio mais interessante para eles, criar demanda”, explica o coordenador de desenvolvimento de negócios do Complexo Portuário de Suape, Leonardo Coutinho.

Hoje, fabricantes de painéis fotovoltaicos estão isentos de ICMS em todo o País. E, caso desejem se instalar em Pernambuco, poderão ver seus fornecedores também receberem o benefício fiscal.

Outro incentivo é uma redução extra de ICMS, de 5%, para indústrias instaladas no Estado que utilizem energia eólica ou solar. 

“Estamos conversando com os grandes consumidores de energia para ver qual vai ser a regra do jogo”, adianta Roberto de Abreu, da secretaria de desenvolvimento.

*O repórter viajou a convite do governo de Pernambuco.