quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Produção energia eólica compensa custo de hidrelétrica no longo prazo

Fonte: Ciencia Hoje

A energia eólica foi apontada no mais recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), publicado em maio deste ano, como uma das seis fontes renováveis que podem suprir a demanda energética mundial nas próximas quatro décadas. 
 
 
 
Recentemente, ganhou maior competitividade no mercado e está sendo incorporada aos planos governamental

No Brasil, a energia elétrica hoje é gerada basicamente por usinas hidrelétricas e térmicas. Para atenuar a emissão de poluentes derivada da queima de combustíveis fósseis (base da geração térmica no Brasil), pesquisadores do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da Universidade de São Paulo (USP) projetaram um cenário alternativo para o ano 2040, com a substituição parcial dessa fonte de energia pela eólica.

No estudo, fruto da dissertação de mestrado da engenheira Juliana Chade Ricosti, foram comparados os custos de geração das duas fontes de energia em um horizonte de 30 anos. Por um lado, o investimento inicial em tecnologia para instalação de parques eólicos (cerca de 20 milhões de dólares) é maior do que para construção de usinas térmicas (aproximadamente 14 milhões de dólares).
O Brasil seria capaz de produzir energia eólica para substituir parcialmente a térmica

Mas essa diferença é compensada posteriormente, pois as usinas eólicas têm custos de operação e manutenção cerca de 2,5 vezes menores, além de não terem gastos com combustível – que, no caso, é o próprio vento – e com medidas para reduzir emissões de gás carbônico.

A pesquisa mostra ainda que o Brasil seria capaz de produzir energia eólica para substituir parcialmente a térmica. Isso porque o regime de ventos no Nordeste – onde há o maior potencial de geração de energia eólica – é mais intenso nos períodos de seca, e hoje as usinas térmicas só são acionadas quando o nível dos reservatórios de água das hidrelétricas é insuficiente para suprir a demanda energética presente e futura.

O engenheiro nuclear Ildo Sauer, orientador do estudo, ressalta que o potencial eólico do Brasil está subaproveitado.O Atlas do Potencial Eólico Brasileiro prevê uma possibilidade de geração de 143 gigawatts (GW), mas atualmente a capacidade instalada é de 1 GW, o que representa 0,88% do total disponível no Brasil. Ao lado da fonte de energia fotovoltaica, a eólica é a que tem menor representação na matriz de energia elétrica brasileira.

Opção competitiva
O incentivo à energia dos ventos cresceu no mundo todo por causa do marketing associado ao fato de ser uma energia limpa, que não emite gases de efeito estufa e tem impactos socioambientais reduzidos. Isso permitiu a evolução das tecnologias usadas na geração de energia eólica e a redução do investimento inicial para a construção de usinas, de modo que essa fonte energética passou a ser tão competitiva quanto as demais.

“Para que a tecnologia das usinas eólicas se desenvolva ainda mais, é preciso que o governo incentive a nacionalização da cadeia produtiva e dê garantia e segurança aos investidores”, enfatiza Sauer.

Nos últimos três anos, o governo brasileiro fez leilões exclusivos para concessão da exploração de fontes alternativas de energia. O primeiro, realizado em dezembro de 2009, foi direcionado apenas a usinas eólicas e aprovou 71 projetos com promessa de venda da energia gerada a um preço médio de R$148 por megawatt-hora (MWh).

Em 2010, 70 projetos de energia eólica foram aprovados por R$130/MWh. Nesse mesmo leilão, foi concedida permissão para construção de hidrelétricas de pequeno porte com promessa de venda de energia a R$141/MWh.

O último leilão de energia, realizado em agosto deste ano, contratou 34 projetos de parques eólicos com energia a R$99/MWh – preço inferior ao prometido por usinas térmicas a gás natural, que foi de R$100,40/MWh.

Apesar de todos os benefícios, é preciso cautela antes de apostar na energia eólica. Essa pode não ser uma fonte totalmente confiável, se não forem feitos estudos de mapeamento, medição e previsão dos ventos. Os pesquisadores advertem que o setor não tem um grande histórico de dados e os ventos só costumam ser aproveitáveis em parte do ano. Além disso, os parques eólicos são ruidosos, podem interferir na rota migratória de pássaros e afetar a estética das paisagens.
 

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Copa cria polêmica sobre revisão tarifária de elétricas

O governo identificou, a partir de estudo conduzido por uma força-tarefa que teve a participação de empresas concessionárias do setor elétrico, a necessidade de investimento adicional, no montante de R$ 4,7 bilhões, para assegurar que, durante a realização da Copa do Mundo de 2014, não ocorram blecautes ou imprevistos no suprimento de energia nas 12 cidades-sede do evento.

Os recursos sairiam dos cofres das próprias empresas, principalmente, das distribuidoras de energia, mas uma medida em estudo na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) ameaça reduzir, segundo empresas do setor, o fluxo de caixa das companhias nos próximos anos. As companhias falam em comprometimento das condições para tomada de financiamentos e, por consequência, dos investimentos necessários à Copa.

O trabalho da força-tarefa procura atender os critérios adicionais de segurança exigidos pela Federação Internacional de Futebol (Fifa). A entidade requer, por exemplo, que os estádios recebam energia elétrica de pelo menos duas fontes distintas. Durante os jogos e sua transmissão pela televisão, os estádios e centros de imprensa serão atendidos também por geradores próprios e especiais, exclusivos para essas finalidades.

Pelo menos quatro cidades-sede, dentre as maiores do país - São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba -, terão que fazer obras para atender à demanda da Fifa quanto à segurança energética. O relatório produzido pela força-tarefa traz, no total, 26 recomendações, que incluem: a agilização dos processos de outorga de concessão das linhas de transmissão consideradas "estratégicas" para a Copa; a possibilidade de antecipação das revisões tarifárias de distribuidoras pela Aneel; e a manutenção de estoques de combustível para uso emergencial em geração térmica durante o evento.

Os investimentos identificados pela força-tarefa não compreendem as obras já previstas pelas concessionárias em decorrência do crescimento da economia, promovido direta ou indiretamente pela Copa do Mundo. Especialistas calculam que apenas a inauguração de 200 novos hotéis nas cidades-sede acrescentará ao sistema elétrico demanda equivalente a uma cidade com 100 mil habitantes. A estimativa toma como base que cada hotel terá cerca de 100 quartos, com potência média de 5 kilowatts (kW).

A preocupação das empresas diz respeito ao terceiro ciclo de revisão tarifária formulado pela Aneel. Essas revisões, realizadas desde as privatizações de distribuidoras e transmissoras, são feitas a cada quatro ou cinco anos, a depender da empresa. O objetivo da Aneel é introduzir, na fixação dos parâmetros para cálculo das tarifas, ganhos de produtividade do setor e também da economia brasileira (cujo risco de crédito, por exemplo, caiu de forma significativa nos últimos anos), levando em conta as taxas de retorno para o investimento.

O custo médio ponderado do capital, conhecido pela sigla WACC e que indica em linhas gerais a taxa de retorno da concessão, chegava a 11,25% no primeiro ciclo. No segundo ciclo de revisão tarifária, para o período entre 2007 e 2010, essa taxa caiu para 9,95%. Ao apresentar as regras do terceiro ciclo, a Aneel sugeriu um índice de retorno regulatório de 7,15% e, depois, elevou-o para 7,57%.

As empresas concordam que o novo índice seja menor que o anterior, mas acham que a Aneel não está considerando a existência de risco regulatório. Em estudo encomendado pela Abradee, entidade que reúne as distribuidoras, a LCA Consultores estima o risco regulatório em 0,9%. Isso já elevaria o WACC imediatamente em 0,43 ponto percentual. A Aneel teria utilizado, em seus parâmetros, o melhor rating do setor elétrico para o cálculo do custo de captação, desconsiderando as taxas pagas individualmente pelas distribuidoras ao buscar crédito.

As distribuidoras alegam que essas regras inviabilizam o levantamento dos recursos necessários aos investimentos para a Copa. Provavelmente, trata-se de um exagero, afinal, essas companhias, com exceção das federalizadas pela Eletrobrás, acumularam desde a privatização taxas anuais de retorno superiores a 10% ao ano. Em geral, estão capitalizadas e prontas para atender a demanda por investimentos. Apesar disso, cabe ao governo e à Aneel analisar as reivindicações para evitar surpresas no futuro. 
 
Fonte: (Valor Econômico)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Rio de Janeiro quer ser referência na área energética

Da Agência Ambiente Energia - Transformar o estado numa referência em racionalização, inovação tecnológica e sustentabilidade ambiental. Este é o objetivo do programa Rio Capital da Energia, lançado pelo governo do Rio de Janeiro na quarta-feira, dia 31 de agosto. 
 
 
 
A iniciativa será tocada por um comitê estratégico. Uma das primeiras ações é o convênio entre a Ampla e a Light para implantar sistemas de racionalização de energia em escolas, hospitais e em todas as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), e a desoneração de equipamentos solares e eólicos. O programa também contará com linhas de financiamentos para a área de pesquisa e desenvolvimento.

“Fechamos um convênio com a Ampla e com a Light para fazer a avaliação dos sistemas elétricos em escolas e hospitais. A ideia é começarmos com 20 escolas e cinco hospitais, para que a gente possa realizar eficiência energética”, disse o governador Sérgio Cabral. O governador também anunciou medidas para fomentar a energia limpa, como linhas de financiamento para incentivar empresários. O dono de uma padaria vai poder, por exemplo, trocar o forno elétrico por um forno a gás. ” Além disso, vamos estabelecer linhas de financiamento para pesquisa e faremos a desoneração do ICMS para equipamentos solares e eólicos – contou o secretário Julio Bueno.

O Rio Capital da Energia prevê, ainda, ações para massificar o conceito de uso racional de energia, inclusive campanhas de comunicação. “Queremos que as pessoas, quando forem comprar uma televisão, uma geladeira, o façam de acordo com o consumo de energia, que este item seja levado em conta”, acrescentou.

O Comitê Estratégico do Rio Capital da Energia oficializado nesta quarta-feira é composto por: secretarias estaduais de Desenvolvimento Econômico – responsável pela Secretaria Executiva do programa –, do Ambiente e de Ciência e Tecnologia, além de ACRJ, ANP, BR Distribuidora, CEG/CEG Rio, EBX, EDF/UTE, Eletrobras, Eletronuclear, Endesa/Ampla, EPE, Fecomercio, Firjan, Furnas, IBP, Light, Neo Energia, OGX, ONS, Petrobras, PUC, Uerj e UFRJ.

Rio de Janeiro: polo energético – O estado do Rio conta hoje com 85 empreendimentos geradores de energia, entre hidrelétricas, termelétricas e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs). É no Rio que estão situadas duas usinas nucleares do país (Angra 1 e Angra 2) e o projeto da terceira (Angra 3), já em andamento. Atualmente, o Rio produz 8.600 MW e haverá oferta de outros 3.700 MW nos próximos anos, com sete novos projetos em execução.

A produção de petróleo fluminense representa 85% da nacional, em torno de 1,8 milhão de barris diários. No estado, são extraídos ainda 28 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, o equivalente a 45% do total nacional. Números que serão ampliados, nos próximos anos, já que 70% da área do pré-sal estão em território fluminense.

O mercado e a tradição energética fazem do Rio o epicentro do setor, atraindo s empresas como a Petrobras e todas as companhias nacionais e estrangeiras petrolíferas que atuam no país, além das principais entidades representativas, como a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip) e o Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP). O mesmo se dá com a energia elétrica. É o caso de Furnas Centrais Elétricas, Eletrobrás, Eletronuclear, Operador Nacional do Sistema (ONS) e Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

O Governo do Estado também mudou, recentemente, a legislação e passou a exigir contrapartidas ambientais para empresas que queiram instalar termelétricas, visando contribuir para a sustentabilidade da matriz energética. O Rio saiu na frente também com a criação da Secretaria de Economia Verde, a primeira do país. Subordinada à Secretaria do Ambiente, seu objetivo é contribuir para o que o estado desenvolva uma economia mais limpa, moderna e forte.

No primeiro semestre, o Rio lançou o primeiro ônibusflex (diesel/GNV) do mundo, capaz de rodar com até 90% de gás natural veicular (GNV), que emite 20% menos CO2 em comparação com o diesel. Atualmente, o estado conta com 750 mil veículos leves movidos a GNV, a maior frota do país, e mais de 500 postos de abastecimento. A oferta do combustível, que já é abundante, crescerá com a produção do pré-sal, sendo suficiente para garantir o abastecimento do sistema de transporte, além da indústria, dos serviços e do comércio.
 

terça-feira, 28 de junho de 2011

IHA cria protocolo de sustentabilidade para hidrelétricas

Lançamento foi feito na quinta-feira (16/6), em Foz do Iguaçu; projeto contou com colaboração da WWF-Brasil

Por Wagner Freire

Crédito: hidrls

A Associação Internacional de Hidroenergia (IHA, na sigla em inglês) acaba de lançar uma ferramenta que, em sua essência, pretende contribuir no planejamento e na construção de hidrelétricas em compromisso com o meio ambiente. Chamada de “Protocolo de Sustentabilidade”, trata-se de uma série de exigências socioambientais elaboradas por construtoras, entidades governamentais e ONGs que irá estabelecer um ranking classificatório dos empreendimentos, medindo o impacto das usinas na comunidade afetada e no meio ambiente.

Quem explica como funcionará esse protocolo é Pedro Bara Neto, coordenador de infraestrutura da Iniciativa Amazônica Viva, da Rede WWF-Brasil. "Será elaborada uma série de perguntas e respostas, as quais receberão um ranking. Se o projeto for mal classificado, ou seja, tirou nota baixa, significa que existe uma insatisfação por parte da sociedade".

"A adesão será voluntária, mas se a ideia tiver apoio de bancos e ganhar a confiança de todos, as agências financiadoras poderão no futuro até levar em consideração o resultado na hora de emprestar dinheiro a projetos que não tiveram boa classificação", destaca Bara Neto. 

Para Joerg Hartmann, que liderou a participação da WWF na construção do Protocolo, “trata-se de um mecanismo a mais para comunidade que garante que suas demandas sejam levadas a sério desde os primeiros passos do empreendimento e não após a tomada de decisões cruciais pelos governos e companhias". O ambientalista afirma ainda que, a solução também será útil para as empresas. "Trata-se de uma ferramenta que evitará uma aventura por "elefantes brancos" que irão provocar conflitos desnecessários e prejuízos futuros”.

De acordo com Hartmann, a Rede WWF assume o compromisso de apoiar este processo e garantir que os estudos baseados no protocolo sejam confiáveis e que a ferramenta seja usada para promover mais sustentabilidade - e não para o chamado "greenwash" ou "banho de sustentabilidade”.

O Protocolo de Sustentabilidade da IHA considera quatro componentes: o planejamento, preparação, implementação e operação dos empreendimentos hidrelétricos. A ferramenta recebeu oficialmente o aval dos membros do órgão na última quinta-feira (16/6), durante o congresso da entidade, em Foz do Iguaçu (PR).

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Venda de ativos da Bertin e interesse por eólicas aceleram consolidação do setor elétrico

Semana foi fechada por aquisições; MPX, EDP e Copel anunciam transações, enquanto Light admite negociação com a Renova Energia
Por Luciano Costa





O setor elétrico viveu dias movimentados nesta semana, quando três empresas anunciaram aquisições e uma quarta admitiu negociações em andamento para um possível negócio. No início do mês, a Cemig já havia iniciado uma movimentação, ao anunciar a compra, por sua controlada Taesa, de ativos da transmissora de energia espanhola Abengoa por um custo de R$1 bilhão.

Na quarta-feira (14/5), a EDP Energias do Brasil, subsidiária brasileira do grupo português, surpreendeu o mercado com a aquisição de 90% da hidrelétrica de Santo Antônio do Jari (300MW). A planta, que tem licença de instalação do Ibama para expansão até 373MW, receberá investimentos entre R$1,27 bilhão e R$1,4 bilhão. A parcela que ficará nas mãos da EDP pertencia à ECE Participações, enquanto os restantes 10% pertencem ao consórcio Amapá Energia. A EDP ainda terá a opção de obter essa participação até 15 de julho.

"Avaliamos que essa certamente deve ser a trajetória da EDP, de buscar fazer investimentos somente em geração, já que em distribuição ela não é uma consolidadora - tem apenas duas distribuidoras e em uma distância grande uma da outra, não tem economia de escala", analisa o professor Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Gesel-UFRJ).

Na quinta-feira (15/5), a MPX, braço de energia da holding EBX, do empresário Eike Batista, fechou a compra da concessão de duas termelétricas do Grupo Bertin. As usinas, localizadas no Espírito Santo, somam 630MW de potência e precisam iniciar a geração até janeiro de 2013, pois venderam energia em um leilão A-5 realizado em 2008. A companhia também revelou que pretende obter autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para construir as usinas no Maranhão, onde possui campos de gás em parceria com sua coligada OGX. A empresa ainda tem licença ambiental para instalar mais de 1.800MW em térmicas na região.

Para analista da Ativa Corretora, Ricardo Corrêa, os campos da OGX no Maranhão têm reservas de gás que, por sua localização, "não são facilmente monetizáveis", a não ser com a implantação de termelétricas. "À medida que a empresa coloca usinas, vai gerar valor. E essa geração de valor é muito maior do que teria qualquer outra empresa, porque ela (a MPX) tem a fonte primária da térmica". Corrêa afirma que "o mercado recebeu bem" a notícia e acredita que, devido aos problemas enfrentados pela Bertin com suas usinas, a Aneel deve aprovar rapidamente a operação.

Ainda na quinta, a estatal paranaense Copel comunicou ao mercado a aquisição de 49,9% em quatro parques eólicos da Galvão Energia. As usinas, que somam 94MW, venderam energia no leilão de fontes alternativas do ano passado e serão construídos no Rio Grande do Norte. Na visão de Ricardo Corrêa, da Ativa, a transação é pequena, e não tem tanta relevância para a avaliação da Copel. "Isso está mais posicionado à estratégia da empresa, para conhecer a indústria (eólica), conhecer o negócio", explica.

Mesmo sem conhecer os termos da negociação, não divulgados pela companhia, Corrêa arrisca dizer que "a energia eólica não tem se provado como meio de geração de valor muito relevante, a não ser apra fabricantes de equipamentos e agentes que trabalham em outras partes da cadeia produtiva". Segundo o analista, "os preço praticados nos leilões não remuneram o capex (investimento necessário)" dos projetos.

Nesse sentido, Corrêa também tem posicionamento crítico quanto à atitude da Light, que, também na quinta, admitiu ao mercado que negocia um investimento na Renova Energia - empresa com foco em fontes limpas e, mais recentemente, em eólicas. "Essa notícia é especialimente negativa para a Light", pontua. O analista da Ativa vê o movimento como um uso da distribuidora fluminense pela Cemig, sua controladora.

"A Light vinha defendendo que a Cemig não iria praticar ingerência em seus planos e está demonstrado agora, para quem tinha alguma dúvida, que isso não é necessariamente verdade", alfineta Corrêa. Nivalde de Castro, do Gesel-UFRJ, também enxerga a possível transação como um passo guiado pela empresa mineira. O especialista, no entando, aponta os aportes de grandes distribuidoras em fontes renováveis como "uma tendência". "A CPFL, a Light agora, a Copel, a própria Cemig, fizeram esse movimento. A energia eólica vai entrar muito firme na matriz elétrica", prevê Castro.

Cenário
O professor da UFRJ afirma que os diversos negócios fechados nesta semana fazem parte do processo de consolidação do setor elétrico brasileiro. "È um movimento mais geral: os grandes grupos, consolidadores, estão se movendo". Castro também não descarta novas vendas de ativos pelo Grupo Bertin, que tem enfrentado problemas com usinas atrasadas e inadimplência no mercado de curto prazo de energia elétrica. "Ele não tem mais capacidade de se manter no mercado. O problema é saber se vai ter gente para comprar".

Para Castro, a tendência de consolidação deve ainda se acelerar com o terceiro ciclo de revisão tarifária, atualmente em estudos na Aneel. O ciclo vai, de acordo com o especialista, reduzir a capacidade de geração de caixa, o que tornará grupos menos equilibrados presas mais fáceis no processo. "Quem tem uma situação econômico-financeira estável consegue financiamento, enquanto os menos estruturados tendem a ser absorvidos".

Marco Antonio Fujihara, diretor da consultoria KeyAssociados, crê que de fato existe "um momento de consolidação" no País. "O que acontece de fato é qeu a escala, em qualquer negócio de energia, é muito importante. É uma tendência que vejo com bons olhos, tende a melhorar o processo", analisa o executivo.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Setor de etanol lança campanha pela bioeletricidade

Entidades e empresas de cana-de-açúcar querem impulsionar uso de biomassa para a geração de energia no País
Da redação

 
Crédito: Projeto Agora

Um grupo de oito empresas e onze entidades ligadas à cadeia produtiva da cana-de-açúcar lançou ontem segunda-feira (6/6), durante o EthanolSummit, evento que acontece em São Paulo até terça, uma campanha para divulgar e impulsionar a bioeletricidade - geração de energia com biomassa. Segundo os organizadores, a iniciativa é "um dos maiores esforços de comunicação e marketing integrados do agronegócio brasileiro".


A campanha será tocada pelo Projeto Agora, que reúne os empresários do setor, e contará com uma agência de gestão de imagem, ações de esclarecimento e divulgação e o desenvolvimento de um site. “Temos uma solução eficiente e disponível para que o Brasil não enfrente dificuldades de abastecimento de energia elétrica ou o perigo de um novo ‘apagão’ no futuro, portanto é fundamental que essa informação chegue ao grande público e aos diferentes níveis de governo, para que todos entendam a importância de remarmos juntos, na mesma direção, para realizar todo o potencial da bioeletricidade,” afirma Marcos Jank, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Segundo a entidade, das 432 usinas de processamento de cana em atividade no Brasil, 129 exportam seu excedente de bioeletricidade, 70 delas no Estado de São Paulo". Isso já representa mais de 2% da eletricidade utilizada pelo País, atendendo ao consumo anual médio de 20 milhões de brasileiros. É também o equivalente a 20% da energia que virá de Belo Monte", argumenta a Unica.

A campanha vai destacar aspectos da energia gerada através da biomassa – limpa, renovável e disponível –por meio da frase: "Verde e Inteligente".“A bioeletricidade é reconhecida por entidades e ONGs de peso global, como a Greenpeace e a WWF, que acreditam nela como solução inteligente e complementar. Isso tem que ser amplamente disseminado, pois só assim, com uma compreensão mais ampla da importância dessa fonte energética, o assunto vai progredir,” diz Flavio Azevedo, sócio-diretor da agência Prole, contratada para a iniciativa.